Van Kreiken ouvido pelo MP afirma não ter sido violada a lei

O jornalista Jorge Van Krieken, ouvido hoje como arguido pelo Ministério Público (MP), negou ter violado a lei ao noticiar o caso do "Envelope 9", alegando que "a informação não estava em segredo de justiça".

Agência LUSA /

Jorge Van Krieken, um dos autores da notícia publicada pelo jornal 24Horas sobre registos telefónicos de figuras do Estado apensos ao processo Casa Pia, foi hoje ouvido durante mais de duas horas pelo procurador do MP, no âmbito de um processo onde responde por "acesso indevido a dados pessoais".

"Não violámos nada. A informação não está em segredo de justiça desde Janeiro de 2004", disse à Agência Lusa Van Krieken, referindo-se ao trabalho jornalístico realizado por si e pelo colega Joaquim Eduardo Oliveira e publicado no passado dia 13 de Janeiro.

"Não fomos nós que tivemos acesso à informação. Nós limitámo- nos a denunciar a situação", recordou o jornalista, referindo-se à divulgação de registos telefónicos de chamadas de altas figuras do Estado, entre os quais o Presidente da República.

Sobre a audição realizada ao final da manhã de hoje no Tribunal de Castelo de Vide, Van Krieken disse à Lusa ter-se comprometido a "ser bastante activo no processo juntando a documentação e requerendo diligências junto do Ministério Público para a cabal descoberta da verdade".

Entre as questões que o jornalista pretende ver esclarecidas está a razão e a forma "como aquele envelope e muitos outros foram parar ao processo e porquê", afirmou.

Durante a audição com o procurador do Ministério Público, Van Krieken terá ainda feito "um apelo ao procurador-Geral adjunto para que não desistisse de descobrir a verdade e para que fosse um defensor das liberdades".

Uma das situações que gostaria de ver brevemente resolvida era a devolução do seu computador, apreendido pela PJ durante as buscas realizadas na semana passada às suas duas casas.

"Pedi que me devolvessem o meu material de trabalho. O meu computador significa a liberdade, a liberdade das pessoas, a liberdade de expressão", afirmou.

Van Krieken considera ainda que "ser arguido é bom", porque pode "ajudar a descobrir a verdade".

Na segunda-feira, os advogados do jornal 24horas requereram a nulidade das diligências de busca e apreensão feitas na passada quarta- feira às casas de Jorge Van Krieken e à redacção do jornal.

O requerimento foi apresentado no Tribunal Central de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa no dia em que o jornalista Joaquim Eduardo Oliveira foi interrogado no âmbito do processo e constituído arguido.

A busca ao jornal 24horas foi o primeiro acto público do inquérito pedido há um mês pelo Procurador-Geral da República, Souto Moura, sobre o caso do "Envelope 9".

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