Várias "obras de Santa Engrácia", no Porto, acabadas em 2005, ano de autárquicas
Porto, 20 Out (Lusa) - Casa da Música, Edifício Transparente, Túnel de Ceuta, Avenida dos Aliados e Linha Amarela do Metro são algumas das obras que vão dar "cara nova" ao Porto em 2005, ano de eleições autárquicas.
A maior parte das intervenções com conclusão prevista para 2005 são autênticas "obras de Santa Engrácia", tantos foram os atrasos e percalços que conheceram.
É o caso do túnel rodoviário que vai ligar a Rua de Ceuta ao Jardim do Carregal e à R. D. Manuel II, obra que esteve parada cerca de dois anos devido a deficiências técnicas de projecto e construção.
No início do seu mandato, o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio (PSD), apresentou a paragem do Túnel de Ceuta como exemplo dos "buracos" que a anterior gestão socialista deixou na cidade, física e financeiramente.
O projecto foi reformulado e a obra adjudicada a um consórcio franco-austríaco, prevendo-se que abra à circulação em Junho de 2005, já com o prolongamento até à R. D. Manuel II, não previsto no projecto inicial, disse hoje à Lusa fonte da autarquia.
Outra obra de "Santa Engrácia" é a Casa da Música, projectada para assinalar o Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura, mas que sofreu vários atrasos, devido a alterações sucessivas do projecto e às dificuldades que o consórcio construtor encontrou para executar os planos arrojados do arquitecto holandês Rem Koolhaas.
Ultrapassadas estas contrariedades, a Casa da Música está em fase final de construção e tem inauguração marcada para Abril de 2005.
O Edifício Transparente também foi construído pela sociedade promotora do Porto 2001, mas ainda continua fechado, depois de avanços e recuos de um polémico concurso de concessão.
A Casa da Música, SA, então presidida por Rui Amaral, adjudicou em 2003 o Edifício Transparente à Hottrade, mas o presidente seguinte, Alves Monteiro, decidiu anular o contrato, acabando por devolver a concessão à mesma empresa, após negociar novos termos contratuais.
O administrador da Hottrade, Marco Almeida, disse hoje à Lusa que está "em vias de aprovação pela Câmara do Porto" o projecto de adaptação do edifício às funções de centro de cultura e lazer, com restaurantes, bares, discoteca e galeria de arte.
Marco Almeida escusou-se a indicar uma data previsível para a conclusão das obras, mas a vocação económica do Edifício Transparente aconselha uma abertura antes do Verão de 2005.
Em Junho de 2005, o "epicentro" do Porto, a Avenida dos Aliados, vai ficar de "cara lavada", com o levantamento dos actuais tapumes para dar visibilidade aos novos jardins.
Simultaneamente, será inaugurada a Linha Amarela do Metro do Porto, para já apenas entre o Hospital S. João e a Câmara de Gaia, utilizando o tabuleiro superior da Ponte D. Luís I.
A habitação social foi apontada por Rui Rio como a principal prioridade do seu mandato autárquico, que terminará com a inauguração de algumas obras simbólicas desta aposta.
A polémica reconversão do Bairro S. João de Deus, um "supermercado" de droga semelhante ao antigo Casal Ventoso de Lisboa, só deverá estar concluída em 2007, mas em 2005 já deverá estar terminada a demolição dos blocos mais problemáticos.
O objectivo do projecto, financiado pelo programa "Urban" da União Europeia, é reduzir o número de habitações das 630 iniciais para apenas 124, dispersando a restante população por outros bairros da cidade.
Em meados de 2004, nas estimativas da Câmara do Porto, estará concluída a construção do novo bairro de Parceria e Antunes.
As 54 novas casas vão substituir o antigo bairro, demolido pela autarquia para dar lugar ao Centro Materno-Infantil do Norte, que, por decisão do anterior Governo, já não será aí construído, mas sim junto ao Hospital S. João.
Outro bairro social que poderá estar pronto em 2005 é o da Bouça, um projecto do arquitecto Álvaro Siza Vieira iniciado há 20 anos, com a construção de dois blocos, e que só em 2004 foi retomado, após uma negociação entre o IGAPHE (Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado), a Câmara do Porto e a Cooperativa Águas Férreas.
Com conclusão prevista para o final de 2005/princípio de 2006, está outra "obra de Santa Engrácia", o chamado edifício da Pedreira da Trindade, construção abandonada a meio há sete anos e classificada pela autarquia como "a principal nódoa urbanística no coração da cidade".
Depois de avanços e recuos de negociações com os proprietários, a Câmara do Porto anunciou em 01 de Outubro a aprovação de um projecto de reconversão do edifício num espaço multi-funcional, com hotel, galeria comercial e escritórios.