Vendedores ambulantes de fruta acusam autarquia de "perseguição"
Viseu, 26 Jul (Lusa) - Três vendedores ambulantes de frutas acusam a Câmara de Lamego de "perseguição" e exigem que os deixem continuar a vender junto da rotunda situada à entrada da cidade, mas a autarquia alega ser uma situação ilegal.
Pedro Silva e mais dois colegas têm licença de vendedores ambulantes passada pela Câmara para venderem as frutas e os legumes da região e costumavam estar, com as suas carrinhas, na rotunda imediatamente após a saída da auto-estrada A24 em direcção a Lamego.
"Mas a Câmara de Lamego, mais concretamente o vereador Amândio Fonseca, tem-nos feito uma perseguição, que começou logo no início da venda da cereja e tem continuado até hoje", contou à agência Lusa o vendedor ambulante e pequeno produtor agrícola, que apenas diz querer escoar o que cultiva nas suas terras.
Segundo Pedro Silva, no início da campanha da cereja "o vereador deu uma acção de despejo", com o argumento de que os três vendedores estavam "a prejudicar os do mercado municipal, que fica a 3.300 metros".
"Nós estamos legais, como eles. Não nos podemos estar a estabelecer numa loja a pagar renda, até porque nem sempre temos produtos para vender", explicou.
Contou que, posteriormente, "o vereador mandou colocar camionetas de terra no local e fazer vedações com paus" para impedir que continuassem a vender junto da rotunda mas, mesmo assim, não arredaram pé.
"Há uma semana fomos visitados pela PSP e GNR, que disseram ter recebido um ofício da Câmara", acrescentou Pedro Silva.
Os três vendedores deslocaram-se esta sexta-feira à Câmara, mas foram remetidos pelo presidente, Francisco Lopes, para o vereador Amândio Fonseca, responsável por este assunto.
"A conversa não deu em nada", lamentou Pedro Silva, acusando o vereador de ter interesses pessoais em retirá-los da rotunda.
Para evitar problemas, Pedro Silva deslocou-se para um local abaixo na estrada, onde costuma estar o denominado "Rei das Cerejas", que "começou a protestar" com a sua presença.
Contactado pela Lusa, Amândio Fonseca explicou que se trata de "um problema de interpretação da lei", porque "ser vendedor ambulante é parar para vender os seus produtos e voltar a andar, não estar parado num local".
"Ele [Pedro Silva] pediu a licença enquanto produtor, mas sabemos que vende fruta que compra. E, por outro lado, a lei refere que, num raio de 50 metros em relação às rotundas não se pode vender, por questões de segurança", acrescentou.
O vice-presidente da autarquia explicou ainda que para estar a vender num local específico "têm que pagar ocupação da via pública, como fazem todos os outros", e afirmou que a situação não é comparável à do "Rei das Cerejas", que "alugou uma garagem, tem lá a fruta e vende à frente, em propriedade privada".
Na sua opinião, Pedro Silva "é que empurra os outros dois" para esta polémica, até porque estes acataram as orientações que tinham sido dadas pela Câmara há cerca de dois meses.
"Avisámo-los que não podiam vender junto à rotunda, que iríamos ser tolerantes dois meses, durante a venda da cereja, depois disso era com a PSP e a GNR. Dois deles já requereram espaço ao lado da EN 226, só este é que não quer fazê-lo", lamentou.
AMF.