Lula quer que Portugal seja "a grande porta da entrada dos interesses empresariais brasileiros"
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Lula quer que Portugal seja "a grande porta da entrada dos interesses empresariais brasileiros"
O presidente do Brasil, Lula da Silva, está esta terça-feira em Lisboa para encontros com o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, e com o presidente da República, António José Seguro. Junto ao Palácio de Belém realizam-se duas concentrações: uma, convocada pelo Chega, contra a visita, e outra de apoio ao chefe de Estado brasileiro.
O presidente do Brasil lembrou ainda que “sempre disse que Portugal era a porta de entrada do Brasil para a União Europeia”.
“Mas agora que Portugal ajudou o Brasil a fazer o acordo UE-Mercosul, agora sim nós conseguimos dizer alto e bom som que Portugal pode ser a grande porta de entrada dos interesses empresariais brasileiros aqui”, considerou.
Lula da Silva disse ser “muito importante que parte das coisas que o Brasil vai negociar com a UE possa ser construída aqui em Portugal, porque aí sim estaremos a fazer uma parceria séria”.
O presidente brasileiro começou o seu discurso, ao lado de Luís Montenegro, dizendo que “historicamente temos mostrado que a harmonia entre os Estados é a forma mais eficaz de construir parcerias produtivas”.
No plano internacional “hoje nós temos a maior quantidade de conflitos da história depois da II Guerra Mundial”, vincou, dizendo que “não há uma única instituição capaz de falar a palavra ‘paz’”.
“O que a gente vê todo o santo dia é declarações, não sei se brincadeira ou não, do presidente Trump a dizer que já acabou com oito guerras e ainda não ganhou o prémio Nobel da paz”, criticou Lula da Silva.
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Montenegro destaca "laços de amizade e fraternidade"
Luís Montenegro fala aos jornalistas a esta hora, tendo começado por frisar os “laços de amizade e fraternidade, olhando para tudo o que já fizemos e sobretudo olhando para o que ainda vamos fazer”.
“Relativamente ao futuro, estamos muito empenhados – e sei que é recíproco – no aprofundamento de tudo aquilo que tem a ver com a implementação e entrada em vigor (…) do acordo da União Europeia com o Mercosul”, declarou no final da reunião com Lula da Silva.
“Portugal é um defensor intransigente deste acordo, que coloca mais de 700 milhões de consumidores em contacto com as suas estruturas económicas, em cooperação, promovendo um mercado mais fluído”, acrescentou.
O primeiro-ministro vincou ainda que “nunca como hoje houve uma comunidade brasileira tão expressiva a viver em Portugal”.
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Concentração de apoio a Lula junto à concentração do Chega
Na mesma altura em que decorre a concentração promovida pelo Chega, do outro lado da estrada, no jardim Afonso de Albuquerque, estão concentrados mais de uma centena de apoiantes de Lula da Silva, na maioria brasileiros, com bandeiras e t-shirts do PT, partido do chefe de Estado brasileiro, e também com a sua cara, além de bandeiras do Brasil e de Portugal.
Estes manifestantes têm uma faixa onde se lê "Lula, Portugal te recebe de braços abertos" e outra "Lula 2026" e vão gritando "Lula, guerreiro do povo brasileiro", "Portugal tem futuro com Lula e Seguro" ou "olé, olá, Lula, Lula".
Ambas as concentrações estão delimitadas por grades e fitas da polícia, e no local está um forte dispositivo policial, mais concentrado do lado dos apoiantes de Lula.
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Ventura participa em concentração contra Lula e chama-lhe "corrupto e ladrão"
O presidente do Chega, partido que promoveu a concentração que decorre nesta altura junto ao Palácio de Belém, apelidou de “corrupto e ladrão” o presidente do Brasil, que já iniciou a sua visita oficial a Portugal.
“Hoje o Brasil tem milhares de pessoas presas porque ofenderam o Lula, ofenderam aquilo que eles consideraram as instituições do Lula – o próprio Bolsonaro está preso”, disse André Ventura aos jornalistas.
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
“Estas pessoas que aqui estão, que são muitos deles brasileiros, estão a pedir a Portugal que seja o último reduto da sua luta contra um corrupto e um ladrão”, prosseguiu o líder do Chega.
“Eu gosto de estar do lado dos que lutam pela liberdade, contra a corrupção”.
O Chega convocou uma concentração junto ao Palácio de Belém, em protesto contra a visita do chefe de Estado brasileiro, que deve contar com a presença do presidente do partido, André Ventura.
Para o mesmo local está agendada uma outra concentração, mas de apoio ao presidente brasileiro, organizada pelo núcleo em Portugal do Partido dos Trabalhadores, de Lula da Silva.
O chefe do Executivo do Brasil será acompanhado por sete ministros, entre os quais o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mauro Vieira.
A comitiva também contará com a presença da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e do presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX), Jorge Viana.
Lula da Silva estará em Lisboa apenas um dia, após passagem por Espanha e Alemanha.
Membros do Governo brasileiro calculam que a visita de Lula da Silva à Europa deve ser a sua última viagem internacional antes das eleições gerais de outubro, quando disputa a reeleição para um quarto mandato.
c/ Lusa
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Imigração, xenofobia e aeronáutica em cima da mesa
Lula da Silva participa hoje em Lisboa em reuniões com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e com presidente da República, António José Seguro, para discutir temas como imigração, xenofobia e aeronáutica.
Na agenda com Montenegro, no Palácio do São Bento, serão tratados ainda temas de cooperação nas áreas de ciência, de tecnologia e de inovação, adiantou a diplomacia brasileira.
Já na agenda bilateral com Seguro, no Palácio de Belém, Lula da Silva irá abordar segurança internacional e temas de interesse da comunidade brasileira, como a nova lei de nacionalidade portuguesa.
Este será o primeiro encontro entre Lula da Silva e Seguro, já que o chefe de Estado brasileiro não conseguiu marcar presença na tomada de posse do presidente português devido a uma sobreposição na agenda.