Vice-presidente da Câmara de Gaia responsabiliza Governo pela morte de mais um segurança
Porto, 10 Dez (Lusa) - O vice-presidente da Câmara de Gaia e presidente da distrital do PSD/Porto, Marco António Costa, responsabilizou hoje o Governo pelo assassínio de mais um segurança da noite, considerando que se está a "reeditar a Chicago dos anos 30".
"O Governo é responsável porque tem desvalorizado estes acontecimentos e transmitido uma imagem de fraqueza da autoridade do Estado", sublinhou Marco António.
Em declarações à Lusa, o autarca considerou que actuação do Governo "transmite também uma imagem de impunidade para quem pratica estes actos".
"Em vez de transmitir uma imagem de autoridade e de incentivo e apoio às polícias portuguesas, que têm sido desacompanhadas e desautorizadas, o Governo procura desvalorizar estes acontecimentos apresentando estatística em que já ninguém acredita", frisou.
Lamentou que "estas notícias de assaltos à mão armada, polícias baleados e acerto de contas entre gangs comecem já a entrar nas rotinas" das vidas dos cidadãos.
"Os ministros da Justiça e da Administração Interna deveriam deslocar-se ao Porto para transmitir uma mensagem de confiança e forte empenho político e operacional do Estado no controle da actividades destes gangs", defendeu.
Marco António considerou que a morte de mais um segurança da noite, aparentemente associada às outras que aconteceram recentemente, é "um sinal da impunidade e insegurança que reina na região e no país".
O segurança foi assassinado domingo à noite em Gaia e, aparentemente, é o mesmo homem que acompanhava o empresário da noite Aurélio Palha, morto a tiro no final de Agosto, no Porto.
Segundo a fonte policial, o segurança foi abatido com vários tiros quando saia da sua residência, nas proximidades da Rotunda de Santo Ovídeo, em Gaia, na companhia do seu irmão.
À sua espera estavam vários indivíduos encapuzados, dentro de um carro, que dispararam e puseram-se em fuga.
"Não há dúvida de que o alvo era ele, porque o irmão ficou ileso", frisou a fonte.
A vítima mortal, conhecido como "Berto", ainda foi transportado para o hospital de S. João, mas acabou por morrer.
"O homem ficou cravejado de balas", frisou a mesma fonte.
O irmão foi transportado ao Hospital de Gaia, mas apenas por ter ficado em estado de choque.
Este crime ocorreu doze dias depois de um outro segurança ter sido abatido na zona ribeirinha da Alfândega.
O caso mais mediático foi o do empresário Aurélio Palha, dono da discoteca Chic, abatido com disparos a partir de um carro em andamento, quando se encontrava a conversar com um segurança (agora assassinado) em fins de Agosto.
O surto de criminalidade associado à noite do Porto é interpretado como uma "guerra" entre grupos rivais de seguranças profissionais na disputa de "território" de actuação.
PM
Lusa/Fim