Vila Pouca de Aguiar em litígio com a Águas de Trás-os-Montes
Vila Pouca de Aguiar, 28 mar (Lusa) -- O presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar admite avançar para tribunal contra a Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro (AdTMAD), que acusa de não cumprir o contrato de fornecimento de água ao concelho.
Em causa está, segundo Domingos Dias, a construção da barragem do Cabouço que serviria para abastecer as populações, um projeto que nunca saiu do papel.
Contactada pela agência Lusa, fonte da AdTMAD refutou a acusação e disse que a barragem do Cabouço "nunca fez parte do plano de investimentos" da empresa.
O projeto e execução desta infraestrutura é, segundo a fonte, da responsabilidade do Ministério da Agricultura e tem como principal objetivo o regadio.
No entanto, depois de construída, estava previsto que AdTMAD fizesse uma captação para abastecer Vila Pouca de Aguiar.
Por sua vez, o presidente do município garantiu que a empresa intermunicipal "não cumpriu o contrato", referindo que se trata de um problema que se arrasta desde 2005.
"Estamos em litígio com a AdTMAD por causa disso. Provavelmente entraremos com uma ação em tribunal para sermos indemnizados", sublinhou.
Ainda não há datas para este recurso aos tribunais, estando neste momento e segundo o autarca, a decorrer "processos negociais".
Domingos Dias salientou que o concelho possui 92 captações de água, o que "implica uma gestão enorme".
Um estudo da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) sobre a qualidade da água aponta para a existência de problemas em Vila Pouca de Aguiar, como já acontecia em 2011, considerando que se trata de um concelho com água "pouco segura".
O presidente reconheceu dificuldades "na regulação do PH", garantindo, no entanto, que "não afeta a saúde das pessoas nem a qualidade da água".
Referiu ainda que este problema está a "ser atacado com a aquisição de doseadores que estão a ser colocados nos diversos reservatórios".