Vinte novas estações de detecção de seismo em Portugal até 2006
O Governo anunciou hoje a modernização da rede sismológica nacional com a instalação até 2006 de vinte novas estações no Continente, Açores e Madeira com maior capacidade de detecção e transmissão em tempo real.
O investimento projectado ronda o milhão e duzentos mil euros, obtidos do Orçamento de Estado através do Programa de Investimentos e Despesas de desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) e do Programa Operacional Ciência e Inovação (POCI).
"Os equipamentos que tínhamos foram instalados nos anos 70 e 90 e desde aí a tecnologia evoluiu e havia necessidade de fazer essa modernização", justificou Adérito Serrão, presidente do Instituto de Meteorologia (IM), responsável pela vigilância sismológica do território nacional.
O reforço da rede - 12 estações no Continente, duas na Madeira e seis nos Açores - vai permitir não só melhorar a detecção da actividade sismológica, mas também dar mais tempo aos sistemas de protecção civil, cerca de 20 minutos, estimou.
Por Portugal estar situado numa zona de risco, ainda que moderado, o Governo defendeu também a instalação de um sistema de alerta rápido de tsunamis no Atlântico e Mediterrâneo durante a Conferência Mundial sobre a Redução dos Desastres Naturais, que decorreu no Japão o mês passado.
"Existe um risco de tsunami no Atlântico mais moderado do que aquele que existe no Índico, no entanto o facto de existir o risco e de Portugal já ter vivido essa situação na sua história levou-nos a tomar uma posição de liderança de trazer o mais rapidamente possível para a Europa um sistema de alerta desses", afirmou o secretário de Estado da Ciência e Inovação, Pedro Sampaio Nunes.
O governante manifestou-se confiante de que será possível apresentar uma proposta nesse sentido, de âmbito europeu, até à Conferência sobre alertas rápidos, que vai decorrer na Alemanha em 2006, repartindo os custos da instalação.
Um primeiro esboço daquele que poderia ser um sistema de alerta no Atlântico e Mediterrâneo aponta para a instalação de cinco "bóias" no Oceano, cada uma com um custo de cinco milhões de euros.
O secretário de Estado sustentou ainda que a modernização dos sistemas de detecção sismológica em terra hoje anunciada é um passo complementar a este esforço de criação de um alerta de tsunamis.
Portugal situa-se numa zona de sismicidade moderada, que diminui à medida que se caminha para norte e que é muito grande nos Açores, zona de confluência das placas euro-asiática, africana e americana, explicou Luísa Senos, delegada regional dos Açores e chefe de divisão de sismologia do Instituto de Meteorologia.
Sobre o risco de tsunamis, Miguel Miranda, director do Instituto Geofísico Infante D.Luís, recordou que existem registos históricos desse tipo de fenómenos, de que é exemplo máximo o episódio ocorrido em 1755, que destruiu parte da baixa lisboeta.
As novas estações terrestres terão sensores que captam mais frequências [desde os micro-sismos a sismos de grande intensidade], sistema de detecção automática de epicentros e magnitude e transmissão de dados via satélite, o que permite uma transmissão contínua e em tempo real.
Até agora, a rede sismográfica do IM era constituída por 16 estações no Continente, três na Madeira e 42 nos Açores, algumas digitais e outras analógicas.