Violência doméstica matou mais de 30 mulheres este ano

O número de mulheres assassinadas este ano vítimas de violência doméstica já é superior ao total do ano passado. O Observatório de Mulheres Assassinadas da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta revela que até 15 de setembro foram assassinadas 33 mulheres, mais seis do que durante o ano de 2011. A Comissão para a Igualdade do Género lança hoje uma campanha contra a violência doméstica que pretende chamar a atenção para os efeitos negativos nas crianças que assistem a atos de violência contra as mães.

RTP /
A frase “Até que a morte nos separe”, remete “para a existência de um crescente número de mulheres vítimas de violência doméstica que são assassinadas pelos seus maridos ou companheiros conjugais”. APAV

Dos 64 casos de violência doméstica, de que a UMAR teve conhecimento, 33 terminaram com a morte da vítima, mais seis do que as registadas durante os doze meses de 2011.

“Já estamos no maior número. Vai ser um ano trágico”, salientou Maria José Magalhães da UMAR em declarações à Antena 1.

Para a presidente da União de Mulheres Alternativa e Resposta a crise económica que o país atravessa tem revelado um agravamento do fenómeno de violência doméstica.

“A crise apresenta dois fatores de agravamento do fenómeno da violência doméstica: por um lado, o agravamento da severidade dos atos, das agressões, e o aumento da frequência. Por outro, a falta de esperança das vítimas nesta situação. As vítimas não acreditam que possam reconstruir as suas vidas”, frisou.

“Nós podemos ver que a diminuição das denúncias significa o aumento destes casos mais graves e letais de tentativas”, acrescentou.

No entanto, Maria José Magalhães frisa que a “crise não aumenta a violência doméstica. Quem não era agressor não é com a crise que vai ficar. Há muitas pessoas desempregadas, muitos homens desempregados que não se tornam agressores por causa da crise. Agora o que é fundamental, até pelas condições económicas do país, é uma mudança das políticas sociais”.
“Até que a morte nos separe”A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) também se associa à celebração do Dia Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra as Mulheres lançando uma nova campanha de sensibilização contra a violência contra as mulheres.

“As imagens veiculadas nesta campanha implicam uma reflexão sobre os contrates existentes nesta problemática, os quais podem toldar a sua visibilidade social”, afirma a APAV no seu site.

A campanha inclui “dois retratos de mulheres vítimas de violência doméstica, as quais apresentam marcas de vitimização no rosto e no pescoço. Estas mulheres estão vestidas de noiva, segurando um ramo de flores e ostentando o anel de noivado e a aliança de casamento”.

Segundo a APAV, a frase “Até que a morte nos separe”, remete “para a existência de um crescente número de mulheres vítimas de violência doméstica que são assassinadas pelos seus maridos ou companheiros conjugais”.

A campanha da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima arranca esta semana com anúncios na imprensa, mupis e o lançamento de um novo site sobre violência doméstica (www.apav.pt/vd) e será acompanhada, numa segunda fase, com um spot que será exibido nos canais RTP, SIC e FOX até 28 de novembro.
Jornadas contra a violência doméstica
O Governo lança hoje uma nova campanha contra a violência doméstica que pretende chamar a atenção para os efeitos negativos nas crianças que assistem a atos de violência contra as mães.

A campanha que é lançada esta tarde no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, serve para assinalar o Dia Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra as Mulheres, que se assinala a 25 de novembro, e conta com a presença do ministro Miguel Relvas e da secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais.

“A campanha deste ano tem como objetivo alertar para os efeitos nefastos que a violência exercida sobre as mães tem sobre os seus filhos que ficam marcados por essa violência para toda a vida”, lê-se num comunicado lançado pelo gabinete de Miguel Relvas.

Segundo o documento, “os números do Relatório Anual de Segurança Interna relativos ao ano passado vieram mostrar que 41,5 por cento das situações reportadas às forças de segurança foram presenciadas por crianças. Por isso a nova campanha pretende apelar a todas as pessoas no sentido de expressarem a sua indignação relativamente à persistência desta forma de violência que vitima idosos e crianças mas que se exerce maioritariamente sobre as mulheres”.

Para Teresa Morais, “é um facto que há ainda em Portugal muita capacidade de admitir como normal um tipo de agressividade e violência no seio familiar que não é muito aceitável”.

A secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e Igualdade garante que o executivo “está a fazer tudo para apoiar estas mulheres” e recorda o “reforço das medidas de videovigilância” há 107 agressores com pulseira electrónica e 320 detidos por este tipo de crime, o número mais elevado de sempre.
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