Violência psicológica apresenta sinais identificáveis - estudo
Os maus-tratos psicológicos podem manifestar-se na criança através de ameaças de abandono, instauração de medo, humilhação ou imposição de solidão, sinais que poderão evitar para que esta violência seja tão "silenciosa", afirma o Instituto da Inteligência.
Segundo o instituto de Neurociências e Evolução Humana, a violência contra crianças "representa apenas uma entre muitas formas de manifestação de agressividade" do ser humano e resulta de "mecanismos psicológicos muito antigos de subjugação".
As formas de violência contra crianças são várias e as que mais atraem a atenção são as que envolvem agressões físicas e até, ocasionalmente, a morte da vítima.
No entanto, tais actos não representam mais do que uma percentagem mínima de casos, uma vez que a "a violência dita +silenciosa+ - que inflige maus-tratos psicológicos - atinge um número muito maior de crianças", indica o Instituto.
A violência psicológica visa antes de mais "derrubar as estruturas do ego da criança e as suas defesas", nomeadamente enfraquecendo a sua auto-estima, e pode exprimir-se através de palavras, de silêncios e de determinadas atitudes por parte dos seus autores.
Segundo estudos realizados pelo Instituto da Inteligência, este tipo de violência pode reflectir-se através de ameaça de abandono, instauração de medo (muitas vezes usado para controlar os impulsos da criança), manipulação psicológica (através da mentira, para subjugar a criança), imposição de solidão e abandono, distanciamento afectivo (forma cruel de violência que pode ser induzida por perturbações emocionais do agressor) e humilhação.
Relativamente à humilhação, o Instituto refere que esta é uma "forma frequente de aniquilação da auto-estima da criança feita geralmente na presença de outras pessoas como estratégia repreensiva e castigo, por vezes aplicada nas escolas sem qualquer consciência das sequelas psicológicas que pode provocar na vítima".
O Instituto da Inteligência procurou também perceber quais as motivações que podem desencadear actos de violência contra crianças, infligidos normalmente pelos familiares próximos.
Esses factores são: personalidade com vincadas tendências anti- sociais, narcísicas e para-comportamentos esquisitos ou paranóicos;
rigidez afectiva dos educadores, incluindo professores, que revelam dificuldade na partilha afectiva e na expressão de emoções;
insuficiência educacional dos pais, que tendem frequentemente a copiar modelos autoritários e impositivos de disciplina e educação.
Outras causas de violência contra crianças são a frágil auto- regulação emocional dos pais, com fraca resistência face a situações de frustração, a alterações emocionais e a tensões; mau ambiente familiar ou escolar; adultos problemáticos, com carências afectivas graves e com dificuldade em controlar os seus problemas.
Quanto aos sentimentos que podem existir no agressor conduzindo ao exercício da violência, o Instituto da Inteligência concluiu que os principais são o sentimento de ódio familiar (entre os pais), estados de ira ou de irritabilidade exaltada, vingança de cônjuge, raiva, repúdio e rancores não resolvidos.
Os sentimentos de revolta, de desprezo, de frustração, de impaciência, de inveja e de desconfiança ou ciúmes em relação ao cônjuge estão também entre as principais causas.
O estudo do Instituto da Inteligência identificou ainda os sinais exteriores de violência psicológica que as crianças, mesmo as mais pequeninas, podem apresentar.
Os bebés não sorriem, não ganham peso ao ritmo esperado, apresentam problemas para comer e dificuldades no sono, distúrbios digestivos, sinais de inquietude e grande sensibilidade a sons e ao toque de estranhos.
Quanto às crianças com mais de um ano, os sinais alarmantes são persistente tristeza no olhar, atitude constante de negatividade, fácil frustração, perda rápida de auto-estima, hipersensibilidade a sons e a estranhos.
A incapacidade de prestar atenção, problemas de sono e de alimentação, enurese nocturna (urinar na cama), movimentos lentos, queixas físicas, suspiros frequentes de ansiedade, inquietação, recusa em ir para a escola e vontade de viver com outros familiares estão entre os sinais preocupantes.
Os adolescentes vítimas de maus-tratos queixam-se de mal estar físico, apresentam tristeza persistente, acessos de raiva incontroláveis, baixa auto-estima, incapacidade em concentrar-se, lentidão de movimentos e perda de interesse por actividades antes procuradas.
Estes adolescentes podem ainda demonstrar interesse por temas relacionados com a morte (livros, músicas, pinturas), ter conversas repetidas sobre a morte, fascínio e atracção por armas, tentativas de suicídio, fugas de casa e faltas frequentes às aulas sem justificação.
O Instituto da Inteligência salienta, porém, que nem sempre estes sinais traduzem casos de violência, podendo manifestar outro tipo de problemas.
Contudo adianta que quando a violência existe exprime-se através destas e outras manifestações estranhas, que "devem deixar familiares e amigos em estado de alerta, agindo se necessário", através de uma abordagem cautelosa e tranquila à vítima e de pedido de ajuda a autoridades de saúde (como médicos ou psicólogos) e policiais.