Vítimas da explosão na Rua de Santa Catarina recorrem à PGR
As vítimas da explosão ocorrida em Junho de 2005 na Rua de Santa Catarina, Porto, vão assinalar hoje os 10 meses do acidente com a assinatura de uma carta a enviar à Procuradoria-Geral da República (PGR).
"Vamo-nos juntar às 10:30 no sítio da explosão, comerciantes, proprietários e inquilinos, para assinar uma carta dirigida à PGR", disse à agência Lusa Carolina Duarte, referindo que está prevista também a colocação de uma faixa com a inscrição "10 meses depois, um silêncio ensurdecedor".
Um casal de idosos morreu e cerca de 20 pessoas, de sete famílias, ficaram desalojadas em consequência de uma forte explosão ocorrida na noite de 27 de Junho de 2005 num prédio de três andares na Rua de Santa Catarina.
O prédio onde se deu a explosão, de causas ainda não apuradas, ruiu e um outro contíguo foi demolido por razões de segurança, tendo- se verificado também outros estragos em dezenas de casas e lojas nas ruas de Santa Catarina e Gonçalo Cristóvão.
Carolina Duarte referiu que as vítimas que sobreviveram à explosão continuam sem receber apoio nem informação sobre o inquérito mandado instaurar, dado as autoridades se refugiarem sempre no segredo de justiça.
O único apoio efectivo tem sido dado pela Segurança Social, que está a pagar a algumas famílias as refeições e o alojamento em pensões.
"A Câmara do Porto e as seguradoras não agem porque não há apuramento de responsabilidades", afirmou, sublinhando que é a primeira vez que as vítimas assumem um protesto público, porque consideram que já esperaram demasiado.
Na carta a enviar à PGR, as vítimas lamentam que apenas saibam que nada podem saber, "nomeadamente o resultado do exame pericial a cargo da Polícia Científica, essencial para se determinar a sustentabilidade ou não da tese logo avançada publicamente, mesmo por responsáveis políticos, da ocorrência de um crime violento".
"Somos olhados como pessoas incómodas e não desejáveis, que pretendem saber aquilo a que temos direito, e a culpa que justifica a desculpa é sempre do segredo de justiça", salientam as vítimas, muitas das quais ainda em tratamento psiquiátrico em consequência da explosão que destruiu os seus haveres.