Vitorino iliba Guterres na derrota do "sim" em 1998
O dirigente socialista António Vitorino recusou que António Guterres tenha sido responsável pela derrota no "sim" no referendo ao aborto de 1998, contrapondo que a culpa foi das correntes radicais a favor da despenalização.
A posição do ex-comissário europeu foi assumida na intervenção de abert ura da Conferência Nacional do PS "Pelo sim Responsável", que encheu o Teatro Ca mões, em Lisboa.
Tendo o secretário-geral do PS, José Sócrates, sentado na primeira fila , António Vitorino apresentou as suas explicações sobre os motivos que estiveram na origem da derrota do "sim" na consulta nacional de 1998.
"Em 1998, não perdemos o referendo por causa da posição do então secret ário-geral do PS António Guterres. Perdemos porque alguns argumentos eram de um radicalismo extremo e desproporcionado face ao que estava em causa na pergunta d o referendo, o que acabou por favorecer o campo do `não`", apontou António Vitor ino.
Vitorino advertiu depois que o PS e a corrente a favor do "sim" terão d e "fazer uma campanha que não responda a provocações, que evite o ruído e a conf usão, porque a confusão só favorece a abstenção".
O ex-comissário europeu foi bastante aplaudido quando criticou os defen sores do "não" que dizem que haverá mais abortos se ganhar a despenalização no r eferendo de 11 de Fevereiro.
"Os que há oito anos fizeram campanha pelo `não` - que nos prometeram e ducação sexual e melhor planeamento familiar -, face aos resultados até agora ve rificados, não podem agora dizer que se o `sim` ganhar haverá mais abortos", con siderou.
A seguir a Vitorino, a eurodeputada socialista Edite Estrela disse que insistiria na defesa de que "há mais vida às 16 semanas de gravidez do que às de z semanas, por mais que isso custe aos analistas políticos de fim-de-semana".
Edite Estrela disse que o actual quadro legal sobre o aborto "é injusto , porque penaliza sobretudo as mulheres mais desfavorecidas".
"Há oito anos, todas as sondagens apontavam para a vitória do `sim`, ma s, enquanto os eleitores do `não` foram votar, muitos dos defensores da despenal ização preferiram ir para a praia e não foram votar convencidos de que o triunfo estava adquirido", apontou a dirigente socialista.
Face ao que se passou em 1998, Edite Estrela disse que os defensores do `sim` "não podem pensar que há vitórias antecipadas".
"Desta vez não pode haver comodismos", frisou a eurodeputada do PS.