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Voluntários limpam chão da praça no Porto para evitar terem de levantar tendas

Voluntários limpam chão da praça no Porto para evitar terem de levantar tendas

Seis elementos do movimento pela habitação limparam a Praça D. João I, no Porto, uma tarefa que não visa apenas garantir manter o espaço limpo, mas também evitar motivos que os obriguem a ter de levantar as tendas.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

No sábado, após a assembleia popular, dezenas de tendas foram montadas na praça, na primeira vez desde a carga policial de quinta-feira que, durante a madrugada, levou à desmobilização e causou 39 feridos, entre eles um agente da autoridade.

As assembleias populares que desde o dia 17 ocorrem ao final da tarde definem, segundo aquele movimento, tudo o que há para fazer, adaptando, diariamente, os comportamentos às necessidades identificadas e, no dia a seguir às tendas terem voltado à praça, um grupo decidiu esta manhã limpar e lavar o piso da praça.

Tiago Tomé dormiu quatro horas na última noite e quando falou com a Lusa, pelas 10:20, estava de esfregona na mão.

"Estamos a limpar, como temos feito sempre, porque à noite está aqui muita gente e isto fica mais sujo. Apanhamos beatas, apanhamos qualquer tipo de lixo, o lixo é separado por reciclagem e pelo Volta também, que é para angariar dinheiro através das garrafas e das latas, para ter comida para dar às pessoas", explicou.

Desta forma, continuou, querem evitar um "eventual aproveitamento da questão por parte da Câmara do Porto, alegando que para limpar a praça têm de levantar as tendas".

A poucos metros, Diana Lourenço fazia o mesmo, assinalando à Lusa que se juntou ao grupo na noite de quinta-feira, quando houve a carga policial,

"Foi um bom primeiro dia para começar", disse, com um sorriso irónico, a trabalhadora-estudante que disse "pagar um preço enorme por um quarto".

Explicando à Lusa que estão "divididos por grupos para agilizar tarefas", sublinhou que a limpeza, hoje, está a cargo de voluntários, confirmando que "minutos antes, dois fiscais da câmara passaram pela praça, observaram e foram embora".

À mesma hora fez-se sentir um vento forte na praça que, associado ao facto de uma parte delas já estar vaga, fez com uma algumas voassem e causasse algum alvoroço. Todavia, nada que perturbasse os jovens que rapidamente resolveram a situação, acumulando as vazias.

Na zona da alimentação, onde são recebidos os contributos, a mesa quase triplicou de manhã, mas nenhum dos voluntários de serviço soube explicar à Lusa se isso decorre do facto de na noite de sábado ter estado muita gente no local.

O movimento anunciou, entretanto, uma assembleia popular para as 12:00.

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