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Votar "não" é remeter aborto para clandestinidade

Votar "não" é remeter aborto para clandestinidade

A líder da distrital do PSD/Lisboa, Paula Teixeira da Cruz, defendeu a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, sublinhando que votar "não" no referendo não acaba com os abortos, apenas os remete para a clandestinidade.

Agência LUSA /

"Quem está contra a vida é quem empurra para o aborto clandestino", afi rmou Paula Teixeira da Cruz, durante a apresentação do livro "Por Uma Vida de Es colha", promovido pelo movimento "Cidadania e Responsabilidade Pelo Sim".

Considerando que votar "sim" no referendo de 11 de Fevereiro é "dizer s im à vida" e que só votando "sim" será possível colocar um ponto final na "liber alização do aborto", Paula Teixeira da Cruz procurou desmontar os argumentos que os movimentos do "não" têm vindo a utilizar, numa campanha que classificou como "simplista, mas eficaz".

"O que está em causa no referendo é tão só e apenas se a prisão é a res posta que a sociedade dá à mulher que aborta. Essa é a única coisa que está em d iscussão", começou por dizer a também advogada e presidente da Assembleia Munici pal de Lisboa.

Pelo contrário, acrescentou, os movimentos do "não" têm reduzido o prob lema a uma única questão: "quem defende a despenalização é contra a vida e a fav or da morte".

"O problema do aborto não pára" se se mantiver a actual legislação, con tinuou, sublinhando que quem está "contra a vida é quem empurra para o aborto cl andestino".

"Votar `não` não impede o aborto, apenas o remete para a clandestinidad e", salientou.

Quanto ao argumento igualmente utilizado pelos defensores do "não" de q ue ninguém é preso por fazer um aborto, Paula Teixeira da Cruz considerou-o uma "mentira", acrescentando que, mesmo que seja verdade que não nenhuma mulher é de tida por interromper a sua gravidez, então isso é um sinal de que "a norma não e stá adequada ao que a sociedade pensa e quer".

Paula Teixeira da Cruz considerou ainda "sem sentido" outro dos argumen tos utilizados pelos movimentos defensores do "não" de que a despenalização da i nterrupção voluntária da gravidez até às dez semanas deixa de parte o homem.

"O outro lado da relação não está penalizado no Código Penal. Por isso, não se fala no homem. O Código Penal só criminaliza a conduta da mulher", assin alou, considerando que o aborto "é o único crime que comporta em si uma auto-san ção", ou seja, "que traz sempre uma penalização a quem o pratica".

"Votar sim é dar liberdade de escolha a quem já não tem escolha. Retira r essa liberdade é condenar ao aborto clandestino, sublinhar diferenças sociais, fomentar o aborto clandestino", disse.

A líder da distrital do PSD/Lisboa, partido que não tem uma posição ofi cial no referendo de 11 de Fevereiro, insistiu ainda na ideia de que "ninguém é a favor do aborto" e que a interrupção voluntária da gravidez já está "liberaliz ada", porque "quem pode já o pratica, muitas vezes extra-fronteiras".

Numa breve intervenção, a escritora Inês Pedrosa alertou para "o terror ismo ideológico que a Igreja Católica" está a fazer, salientando que "por ser ca tólico não é obrigatório votar não".

"Pode ser-se católico e votar sim", afirmou.

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