Washington Post publica foto de fuzileiro português que obteve cidadania
O jornal Washington Post publicou em primeira página uma fotografia a cores de Carlos Lopes, o militar português que obteve na segunda-feira a nacionalidade norte-americana depois de ter combatido no Iraque.
O fuzileiro, ferido no Iraque ao serviço dos Estados Unidos, foi galardoado com a cidadania norte-americana numa cerimónia no hospital militar Walter Reed, em Washington.
É uma fotografia desta cerimónia, em que o cabo português, de uniforme camuflado, surge com uma pequena bandeira norte-americana na mão a ser abraçado por uma funcionária dos serviços de imigração, que sai hoje no Washington Post.
Carlos Lopes, de 25 anos, integra um grupo de militares que recebeu a cidadania norte-americana ao abrigo de uma lei que acelera o processo de cidadania de residentes estrangeiros que se incorporem nas forças armadas norte-americanas.
De acordo com o Pentágono, Lopes vive nos Estados Unidos desde os quatro anos mas nunca adquiriu nacionalidade norte-americana.
Este português fazia parte do Oitavo Batalhão de Apoio de Engenharia dos fuzileiros quando foi ferido num acidente invulgar no Iraque, a 25 de Novembro de 2005. Um outro fuzileiro, carregado com equipamento militar, caiu do segundo andar de um edifício em cima de Carlos Lopes que sofreu fracturas múltiplas.
Segundo estatísticas oficiais, o número de estrangeiros nas forças armadas norte-americanas ronda os 35.000, a maior parte (cerca de 12.000) na marinha. Cerca de um terço desses soldados são provenientes da América Latina e os outros de países como a China, Vietname, Canada, Coreia ou Índia.
Ao abrigo do programa de concessão de cidadania por "via rápida" a estrangeiros que se alistem nas forças armadas, 4.600 militares adquiriram em 2005 a cidadania norte-americana.
Actualmente, apenas imigrantes legalmente residentes nos Estados Unidos podem ser aceites nas forças armadas norte-americanas, mas o Pentágono e o Congresso estão a estudar a possibilidade de começar a recrutar directamente no estrangeiro.
O congresso já aprovou uma lei nesse sentido, restrita a casos em que isso seja "vital para a segurança nacional", mas o Departamento de Defesa não fez até agora uso dessa lei.
Cerca de uma centena de cidadãos estrangeiros ao serviço das forças armadas norte-americanas morreram até agora em combate no Iraque e no Afeganistão.