Frankfurt a ferro e fogo na abertura da nova sede do BCE
Cento e vinte mil metros quadrados de terrenos, 4.500 toneladas de aço, 3.500 portas e torre dupla de escritórios com 185 metros de altura formam o novo quartel-general do Banco Central Europeu. Um investimento de 1,3 mil milhões de euros num “símbolo do capitalismo” que levou milhares de pessoas a manifestarem-se em dia de inauguração.
Milhares de pessoas concentraram-se no bairro portuário de Ostend, onde decorre esta quarta-feira a inauguração da nova sede do Banco Central Europeu (BCE). Frankfurt está sob forte tensão.
Em Frankfurt, na Alemanha, o movimento Blockupy protestou contra a inauguração do novo edifício do Banco Central Europeu. Os manifestantes incendiaram carros da polícia e provocaram distúrbios em protesto contra a austeridade. Na base da contestação está também a construção da nova sede do BCE, que custou pelo menos 1,3 mil milhões de euros.
Os manifestantes bloquearam ainda várias ruas, recorrendo a pneus em chamas.
Os organizadores esperavam dez mil manifestantes e as autoridades previram um dispositivo de segurança de cerca de oito mil polícias, apoiados por dezenas de canhões de água e helicópteros. As forças policiais pediram aos habitantes da zona para não saírem de casa.
Marcha pelas ruas da cidade
O movimento da esquerda radical considera o BCE “um símbolo do capitalismo”. Um dos grandes motivos deste protesto é a dimensão das novas instalações do BCE, onde foram gastos cerca de 1,3 mil milhões de euros, segundo informações da agência Reuters.
Mario Draghi, presidente do BCE, inaugura esta quarta-feira a nova sede do BCE, uma cerimónia que contará com a presença dos governadores dos bancos centrais da Zona Euro.
"Apelámos a protestos pacíficos e, claramente, manifestantes que não fazem parte do Blockupy juntaram-se, lamento-o", afirmou por sua vez Herman Schaus, deputado regional e membro do partido da esquerda radical Die Linke, em declarações à France Presse.
Para esta tarde está ainda marcada uma concentração do Blockupy no centro histórico da capital financeira alemã seguida de uma marcha pelas ruas do centro da cidade.
Um colosso de 1,3 mil milhões
O complexo é constituído por três elementos principais: o edifício do antigo mercado abastecedor de fruta e produtos hortícolas de Frankfurt, um arranha-céus, composto por duas torres ligadas por um átrio, e o edifício de entrada, que une visualmente o edifício do antigo mercado ao arranha-céus, criando a entrada principal do BCE.
Após a recomendação do Tribunal de Contas Europeu a todas as instituições comunitárias de que, no longo prazo, “é muito mais económico optar pela aquisição do que pelo arrendamento de um edifício, o BCE decidiu construir uma sede própria nos terrenos do antigo mercado abastecedor de fruta e produtos hortícolas de Frankfurt”, pode ler-se no portal do Banco Central Europeu.
“Por ocasião da assinatura do Tratado de Maastricht em 1992, decidiu-se que a sede do BCE seria em Frankfurt, na Alemanha. Em 1998, quando o BCE iniciou a atividade em escritórios arrendados na Eurotower, começou também a procurar um local adequado para a construção de uma sede própria. Foram considerados 35 possíveis locais na cidade, tendo o BCE, decidido incorporar o edifício do antigo mercado na sua nova sede”, lê-se no mesmo site.
O complexo da nova sede do BCE é constituído pelo edifício do antigo mercado abastecedor de fruta e produtos hortícolas de Frankfurt, um arranha-céus composto por duas torres ligadas por um átrio e o edifício de entrada. São 120 mil metros quadrados de terrenos, 4.500 toneladas de aço, 3.500 portas ou uma torre dupla de escritórios com 185 metros de altura. Um investimento de 1,3 mil milhões de euros que levou milhares de pessoas a manifestarem-se em dia de inauguração.
A maioria do pessoal do BCE afeto às funções de política monetária trabalha agora na nova sede. “Contudo, dado que as novas instalações foram projetadas numa altura em que não se previa que o BCE assumisse a responsabilidade pela supervisão bancária na área do euro, a instituição decidiu, em novembro de 2013, continuar a arrendar a Eurotower para acolher o pessoal afeto às novas funções de supervisão. O pessoal responsável pelos serviços partilhados encontra-se distribuído por ambos os edifícios”.
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