"O almirante não chega lá, é um candidato de plástico"

Francisco Assis, em entrevista ao podcast da Antena 1 "Política com Assinatura" acusa António Costa de ter mentido ao país, elogia Pedro Nuno Santos, poupa José Sócrates e acusa o Governo de Luís Montenegro de "demagogia criminosa". Sobre as presidenciais o eurodeputado do Partido Socialista acredita que "vai haver uma grande surpresa: acho que o almirante não vai à segunda volta".

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O eurodeputado mostra-se muito crítico de Gouveia e Melo. “Tudo se vê que é plástico ali”, observa Francisco Assis, para quem haverá uma segunda volta nas presidenciais, com António José Seguro e Luís Marques Mendes, e no fim ganha Seguro.

Assis diz que Gouveia e Melo não é um general De Gaulle, que salvou a França, nem um general Eanes, que contribuiu para a gemocracia em Portugal, e considera que o almirante perde votos sempre que fala porque não tem cultura nem dimensão políticas. “Não tem a menor preparação para o desempenho de um cargo político como o cargo de presidente da República”, conclui.
O candidato socialista às presidenciais está “encontrado”, é António José Seguro, assegura Francisco Assis. Diz mesmo que os militantes socialistas querem Seguro como candidato do PS a Belém.

E não há líder de um partido que sobreviva um dia mais que seja se for contra os militantes.

Eu não tenho a mais pequena dúvida de que o PS, quando tiver que tomar uma posição, vai apoiar António José Seguro”.
António Costa mentiu
Francisco Assis considera que a governação socialista dos últimos anos contribuiu para o estado atual do partido.

O PS que não falou verdade em determinados momentos ao país”, por exemplo, quando disse que a austeridade acabou. O eurodeputado socialista considera que, quando o PS afirmou que a austeridade foi uma invenção de Passos Coelho, da direita e da Comissão Europeia, “isso não era verdade”.

Os governos do Partido Socialista não romperam em absoluto com essa austeridade, alteraram a natureza da austeridade” por cativações e o eleitorado acabou por ter essa percepção, acrescenta.
Para Assis, o PS tornou-se num partido “instalado”, um partido de “gestão do poder”, com pouca capacidade de transformar.

Assume que nas legislativas o partido sofreu aquilo que caracteriza como uma “derrota brutal”.

Prevê que os socialistas tenham pela frente um “horizonte complicado”, mas também acredita que o partido está a reagir e que as autárquicas vão permitir perceber “até que ponto existe uma erosão estrutural e profunda do Partido Socialista e até que ponto há uma implantação real do Chega na sociedade portuguesa”.
Assis recusa responsabilizar Pedro Nuno Santos pelo resultado do PS das legislativas. Considera mesmo que foi “um bom líder”. Nos elogios a Pedro Nuno Santos diz que o anterior líder socialista teve um “comportamento exemplar” e adianta que “ele não poderia ter agido de outra forma”.
Francisco Assis poupa José Sócrates. “É muito difícil fazer uma apreciação objetiva e lúcida da ação de José Sócrates pelas circunstâncias em que está envolvido”.

O eurodeputado socialista fala de um “fantasma”, uma “névoa” em redor de Sócrates, que só quando essa névoa desaparecer será possível perceber o legado de Sócrates como primeiro-ministro.
Sobre a imigração, Francisco Assis acusa o Governo de estar a seguir o caminho da “demagogia criminosa”. A acusação de Francisco Assis sobre a forma como o Executivo de Luís Montenegro tem gerido a questão da imigração. Diz mesmo que tem seguido o discurso da extrema-direita.

O eurodeputado incita o PS a ser “radical” nesta matéria, dizendo ao Governo que “não aceita este caminho e que não está disponível para pactuar com este tipo de discurso”.
Assis volta a acusar os governos de António Costa. Diz que o facto de ter havido desinvestimento público no país pode ter prejudicado as respostas sociais e de integração dos imigrantes que chegaram a Portugal.

Admite que ainda não percebeu a extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) decidida pelo Governo de António Costa. “Foi repentino”, diz.

Concorda com a criação da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) e lamenta que Ana Catarina Mendes, antiga ministra dos Assuntos Parlamentares com a pasta da imigração, tenha sido “injustamente tratada”.

Avisa que a questão da imigração tem de ser tratada com inteligência, até porque, afirma “a Europa precisa de imigrantes, a Europa suicida-se se não tiver imigrantes, Portugal suicida-se se não tiver imigrantes”.
Francisco Assis acredita que José Luís Carneiro é o líder socialista certo para fazer oposição ao discurso de ódio da extrema-direita em Portugal.

Tem uma noção muito exata da forma como se deve combater esse discurso” e acrescenta: “Não vai ceder um milímetro que seja”.
O Estado precisa de reforma, afirma Francisco Assis. E por isso defende que o PS deve dialogar. “Não creio que o Partido Socialista deva ter uma atitude fechada. Temos que avaliar”.

Para o eurodeputado é positiva a criação do Ministério que ficara responsável por essa reforma do Estado, “até podia ter sido uma ideia do PS”.
Em relação aos conflitos internacionais, Assis garante que a Europa não se cala em Gaza, tem substituído os Estados Unidos na defesa da Ucrânia e sobre o Irão fala de “uma questão complexa”.

Diz que o regime iraniano é “um dos regimes mais detestáveis que existem à face da Terra”.

E sobre o ataque de Israel a Irão acrescenta que “o problema desta intervenção é ser feita na mesma altura em que Israel se está a comportar de forma miseravelmente com Gaza”.

Se não fosse nessa altura nós todos provavelmente estaríamos a aderir a esta iniciativa”, conclui.
Entrevista conduzida pela editora Política da Antena 1, Natália Carvalho.
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