"Para Passos Coelho é mais fácil falar do que fazer", diz Carlos Moedas

"Para Passos Coelho é mais fácil falar do que fazer", diz Carlos Moedas

Para o social-democrata e presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Passos Coelho "está a ser injusto" quando afirma que está a esgotar-se o tempo do Governo para fazer reformas.

Andreia Brito com Natália Carvalho /

Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas

Ao programa da Antena 1, Política com Assinatura, Carlos Moedas afirma que "não estou de acordo com o que ele disse. Está a ser injusto no sentido de que aquilo que diz não tem razão de ser. As reformas que este Governo está a fazer são as possíveis dentro do quadro que existe, que é uma minoria muito difícil".

O autarca social-democrata diz mesmo que "Passos Coelho foi o homem certo no momento certo, daquele tempo, e Luís Montenegro é o homem certo deste momento".

Relembra que quando Passos foi primeiro-ministro "no tempo da Troika havia uma maioria. Agora são 91 deputados da AD. É muito difícil governar".

Questionado pela editora de política da Antena 1, Natália Carvalho, sobre se Carlos Moedas considera que Passos Coelho quer regressar à política nacional, o autarca remete a pergunta para o antigo primeiro-ministro, mas avisa: Luís Montenegro "vai ter ainda muito tempo como primeiro-ministro. Este ciclo vai ser longo, mais longo do que as pessoas pensam" e antevê uma vitória da AD em 2029: "o Governo está a ter resultados e as pessoas vão avaliar isso em 2029".
Carlos Moedas acusa o Partido Socialista (PS) de "uma estratégia para descredibilizar e diabolizar o presidente da Câmara" no que diz respeito ao acidente no Elevador da Glória.

Em causa, um vídeo que circula nas redes sociais e que compara as declarações onde Carlos Moedas garante que falou com todas as famílias das vítimas com declarações recentes onde afirma que por razões legais não podia ter acesso aos contactos desses familiares.

"Esse vídeo vai para os mesmos comentadores de sempre que têm uma obsessão pelo Carlos Moedas. Levantam-se de manhã e pensam «o que podemos atacar no Carlos Moedas?»", ironiza.

O autarca fala de quatro a cinco comentadores "cujas ligações são tão fortes ao PS que só podem ou ser parte do PS ou serem parte daquilo que é uma estratégia para descredibilizar e diabolizar o presidente da Câmara".

Moedas mostra-se muito crítico dos socialistas com assento na autarquia de Lisboa dizendo que "acho vergonhoso e é ofensivo para as famílias ver o PS na Câmara Municipal a fazerem o vídeo, depois pedirem ao tipo das redes sociais para pôr o vídeo, e depois pedirem ao comentador um, dois, três, quatro ou cinco para imediatamente falarem (sobre o vídeo)".

"Sinto-me indignado e ofendido com isso" e conclui: "eles sabem lá o que eu passei".
Nesta entrevista Carlos Moedas defende que "o grande tema do Elevador da Glória é: qual é a culpa? Quem é que tem culpa? E essas pessoas vão ter de ser chamadas à Justiça".

O autarca de Lisboa relembra que o Ministério Público continua a investigação ao acidente no Elevador da Glória. "Vamos ter de esperar" e, se assim é, pergunta a editora de política da Antena 1: "quanto tempo mais?".

Moedas reage com um cenário hipotético: "imagine o que era eu agora dizer «isto tem de ser já», eu estava a afetar a investigação. Não posso afetar a investigação. Um político não pode pôr pressão nos técnicos".

Ao Política com Assinatura Carlos Moedas adianta que o Elevador da Glória voltará a funcionar nunca antes de 2029.
"PS radicalizou-se em Lisboa à extrema-esquerda"
Carlos Moedas vai mais longe nas acusações e críticas ao PS que acusa de se radicalizar ora para a esquerda, ora para a direita.

"Vivo isso na Câmara Municipal todos os dias: de um PS que se radicalizou em Lisboa à extrema-esquerda e que não quer ser parte da solução. Todas as oportunidades que tem são de politização, de partidarização de tudo aquilo que acontece na Câmara Municipal de Lisboa", atira.

Carlos Moedas exemplifica com aquilo que têm sido os comportamentos dos socialistas na autarquia: "o PS está a tentar judicializar aquilo que é a política da Câmara de Lisboa. Já são três decisões urbanísticas que são enviadas para o Ministério Público. Decisões tomadas pelos técnicos, mas que o PS decide partidarizar judicializando".

Isso em termos locais que é depois repercutido para a política nacional. "É preocupante pensar que o PS e o Chega (CH) já votaram mais vezes em conjunto do que o PS com o PSD ou o CH com o PSD. Vemos aqui uma união de extremos", acrescenta.
Eleições antecipadas? "Seria uma loucura para qualquer partido político"
O social-democrata até elogia o anúncio do PS sobre a abstenção na votação ao Orçamento do Estado que vai permitir a viabilização do documento. Mas... "sejamos francos: o PS sente que a população portuguesa hoje não aceitaria eleições. As pessoas não querem eleições". E, dirigindo-se ao PS e ao CH, Moedas avisa que "se um destes partidos provocar eleições pagará um altíssimo preço político". Eleições antecipadas ou a dissolução da Assembleia da República "seria uma loucura para qualquer partido político", acrescenta.

Na opinião do social-democrata os socialistas "estão a agir bem para manter a estabilidade, mas também por interesse próprio porque sabem que o contrário seria terrível, seja para o PS seja para o CH".
Liderança do PSD "coloco-me totalmente de fora"
Carlos Moedas sente-se bem na Câmara Municipal de Lisboa e não pondera trocá-la pela liderança do PSD.

"Coloco-me totalmente de fora" responde e adianta que candidatar-se a presidente do PSD "não é um cenário possível".

Ainda assim, a jornalista Natália Carvalho insiste: "e no pós-Montenegro?". "Em 2029 ainda vai haver seguramente mais Montenegro porque ele está a fazer um bom trabalho, vai a eleições e ganha", prevê Moedas.

De novo a editora de política da Antena 1: "e se Montenegro perder umas legislativas, admite candidatar-se?". E repete o social-democrata: "não admito nada porque estou bem na Câmara".
Entrevista conduzida pela editora de política da Antena 1, Natália Carvalho.
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