1.º de Maio de 1974, o primeiro em liberdade

O dia 1 de Maio de 1974, o primeiro Dia do Trabalhador em liberdade, foi entusiasticamente comemorado pelo povo de norte a sul de Portugal.

| Política

Às primeiras horas manhã em Lisboa já dezenas de populares se reuniam na Alameda Dom Afonso Henriques. O local escolhido pelos 23 sindicatos organizadores para a concentração da manifestação.

Veio gente de todas as regiões de Portugal, de cravo ao peito, para ouvir os discursos de Mário Soares e Álvaro Cunhal, entretanto regressados do exílio.

Nas varandas e janelas dos prédios da capital, viam-se suspensas bandeiras nacionais, colchas e serpentinas.

Em alto e bom som, ouviam-se todo o género de frases reivindicativas: "O povo unido jamais será vencido!", "As nossas armas são as flores", "A poesia está na rua", "Direito de voto aos 18 anos", “Julgamento público dos criminosos fascistas " ou "Não paguem o aumento dos telefones".

O momento era de uma indescritível liberdade. Desconhecidos abraçavam-se e beijavam-se e todos faziam o “V” de vitória. Alguns até utilizam o triângulo dos carros para o efeito.

Centenas de cartazes de todo o tipo e feitio eram empunhados pelos populares e arrancavam sorrisos com os seus dizeres: "Demos à PIDE/DGS férias no Vietname".

O cortejo com cerca de um milhão de pessoas pôs-se em marcha às 15h30.


À cabeça estavam os representantes dos sindicatos organizadores, que eram seguidos por Mário Soares e Álvaro Cunhal, protegidos por um cordão de marinheiros.



A partir da Alameda, o cortejo subiu para a Praça do Areeiro e desceu a Avenida Gago Coutinho, para entrar na Estados Unidos da América. Finalmente chegava à Avenida do Rio de Janeiro, onde se encontrava o Estádio da FNAT (Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho), entretanto batizado como o Estádio Primeiro de Maio.

A marcha demorou mais de duas horas e o recinto não chegou para todos ouvirem os discursos dos representantes sindicais e, em especial, de Mário Soares e Álvaro Cunhal.

Um momento especialmente marcante do discurso de Mário Soares foi quando prestou homenagem aos militantes comunistas que viveram na clandestinidade durante o período da ditadura.

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