2021, ano "muito estranho". Artigo de Marcelo chama atenção para saúde mental

O presidente da República assina um artigo na edição desta quinta-feira do jornal Público com o balanço de um ano “muito estranho” e de “transição”. Marcelo Rebelo de Sousa sustenta, no texto, que a saúde mental deve deixar de ser um “irmão pobre” nos serviços do sector em Portugal.

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“Tivemos, portanto, um ano de transição com eleições presidenciais, eleições autárquicas e o começo de eleições legislativas” Lusa

“De todas as transições quais são aquelas que porventura são as mais preocupantes? Eu diria as sociais e as mentais, ou se quiserem as sociais e as sanitárias”, escreve o chefe de Estado.

“As sociais: porque a recuperação económica, por lenta que seja, será sempre mais rápida do que a recuperação social. Não se entra em pobreza agravada e se sai instantaneamente. Não se passa de risco de pobreza a pobreza declarada e se sai instantaneamente. Não se perde uma série de projetos de vida, ou se adia, ou se congela, e se recomeça instantaneamente”, enumera Marcelo no Público.“Tivemos, portanto, um ano de transição com eleições presidenciais, eleições autárquicas e o começo de eleições legislativas”, sublinha Marcelo, a propósito do país político.


“A outra preocupante transição é a sanitária e dentro dela a mental”, prossegue o presidente, para acrescentar: “Claro que a questão sanitária toda ela é grave. Porque para acorrer à pandemia, ao vírus, houve que atrasar o que seria uma marcação, o que seria uma consulta, o que seria uma cirurgia. E não é uma, são milhares, de milhares, de milhares”.

“Mas o que não está devidamente medido é o efeito da pandemia na saúde mental das pessoas”, estima.

“Nos mais jovens: telescola, escola presencial, telescola, escola presencial, fecho mais cedo ou recomeço mais tarde. Mas depois nas famílias, nas comunidades, nos clubes, nas associações, na sociedade civil, o que isso mexeu com as pessoas, o que isso descompensou as pessoas”.
Um olhar internacional
Marcelo Rebelo de Sousa recorda que, nos Estados Unidos, a Administração Biden continua a debater-se com efeitos de choque da anterior Presidência de Donald Trump. Sublinha também o ritmo lento da recuperação da economia chinesa.

“Foi também de transição para outras potências emergentes: a Índia com a pandemia e o arranque económico diferido; a África do Sul com a pandemia e as consequências económicas e sociais. Já não falo na Federação Russa e na sua presença nas áreas regionais em que tem uma posição muito significativa”, escreve o presidente.

“E é um ano de transição para a Europa. Em rigor, o ciclo político europeu começou muito atrás. Começou na transição de 2019 para 2020, mas caiu-lhe em cima a pandemia e o ano de 2020 foi, para a Europa, um ano de pandemia e de crise económica e social”.
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