50 mil portugueses que trabalharam em França não reclamam reformas a que têm direito

Paris, 01 dez (Lusa) -- Pelo menos 50 mil reformados portugueses que trabalharam em França ainda não reclamaram reformas a que têm direito, ou por ignorância, ou porque foram mal informados, alertou hoje Gracinda Maranhão, da delegação em França do PS português.

Lusa /

Na sessão de conclusões da iniciativa "Autorretrato da Comunidade Portuguesa -- Paris 2012", promovida pela secção do Partido Socialista português na capital francesa, Gracinda Maranhão, relatora do grupo de trabalho sobre reformados e terceira idade, considerou que é preciso que se volte a fazer uma listagem dos portugueses na idade da reforma que descontaram em França, e que se ponha em marcha uma campanha de informação para ajudar a Segurança Social portuguesa a informar os emigrantes que regressaram a Portugal dos seus direitos.

Em 2008, num trabalho feito pela Caixa Nacional Francesa de Seguro de Velhice (CNAV) em parceria com a Santa Casa da Misericórdia, conseguiu perceber-se que havia quase 60 mil portugueses reformados que não usufruíam do seu direito a uma pensão francesa pelos descontos que tinham feito, e, posteriormente, fazer com que 28 mil regularizassem a sua situação.

Contudo, explicou à Lusa Gracinda Maranhão, que é também advogada da Santa Casa da Misericórdia de Paris, houve muitos casos em que a Segurança Social em Portugal não informou convenientemente os reformados que a solicitaram para terem acesso a esta reforma.

"Para não voltarmos aos mesmos erros, queremos fazer uma campanha de informação para que [as várias delegações da] Segurança Social [pelo país] formem uma pessoa ou várias, [para que os funcionários saibam] que tal é possível", explicou, acrescentando estimar o número de reformados que foram emigrantes em França e que, vivendo hoje em Portugal, "não fazem valer os seus direitos" é de "pelo menos" 50 mil.

Gracinda Maranhão sublinhou ainda que é preciso desfazer o mito de que todos os emigrantes portugueses em França são bem-sucedidos, lembrando, por exemplo, que a maioria dos idosos vive numa situação de "precariedade económica, porque as reformas são baixas", e "num certo isolamento".

"Com a reforma vem uma certa pobreza, um nível de rendimentos que é insuficiente para ser autónomo. Mais de 30 por cento vivem numa grande precariedade, sem meios para viver aqui, porque não ganham o suficiente, e sem meios para viver em Portugal, ou porque não têm lá casa, ou porque não conseguem vaga num lar", concluiu.

Este encontro, que decorreu hoje na sede do PS francês, enquadra-se na iniciativa do PS "Ouvir os Portugueses", que tem por objetivo recolher contributos e propostas para melhorar o país.

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