"A nossa área política não é a dele", diz Leonor Beleza a Ventura
A primeira vice-presidente do PSD reafirmou hoje que a área política do seu partido não esteve representada na segunda volta das presidenciais e, sobre a pretensão de Ventura ser o "líder da direita", respondeu que "diz o que quiser".
"Ele diz o que quiser. A nossa área política não é a área política dele", afirmou a dirigente social-democrata Leonor Beleza.
Beleza reagiu hoje, em nome do PSD, à vitória de António José Seguro nas presidenciais, depois de ter sido a única dirigente nacional de topo dos sociais-democratas a manifestar apoio a um dos candidatos, precisamente ao antigo secretário-geral do PS, que teve como adversário na segunda volta André Ventura, presidente do Chega.
Na noite da primeira volta, o líder do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou que não haveria indicação de voto em nenhum dos candidatos, argumentando que o espaço político da AD não estava representado na segunda volta.
Questionada se tal posição foi um erro -- perante resultados provisórios que indicam uma vitória de Seguro na ordem dos 66% quando estão apurados os votos de mais de 98% das freguesias -, a vice-presidente do PSD reafirmou as palavras de Montenegro.
"Tal como o presidente do PSD disse na altura, a nossa área política não esteve representada. É uma área política diferente daquelas que os dois candidatos que passaram à segunda volta representam", disse.
A dirigente social-democrata acrescentou que, perante essa posição, "cada um dos militantes do PSD e daqueles que se reveem no partido votou como entendeu".
"É possível agora olhar para os resultados e tentar compreender as coisas. Eu própria exerci a minha liberdade de fazer uma escolha, como é sabido", disse.
Questionada se a relação do Chega no parlamento se pode alterar caso o líder deste partido tenha uma votação que se aproxima ou supera (em percentagem) a da AD nas últimas legislativas, Leonor Beleza remeteu para as palavras proferidas pouco antes pelo primeiro-ministro, de que nada mudaria na governação.
"O primeiro-ministro e líder do PSD acaba de explicar quais são os termos em que o PSD colaborará na Assembleia da República com as várias forças políticas. Eu não tenho nada a acrescentar em relação a isso", afirmou.