Política
"Acho impossível que não soubesse de nada", diz Queiroz Pereira sobre Salgado
Pedro Queiroz Pereira afirmou, perante a Comissão de Inquérito ao BES e ao GES, que nada se decidia no Banco Espírito Santo sem conhecimento de Ricardo Salgado. Afirmou igualmente que, apesar de saber "desde 2001" que as contas do GES não eram bem geridas, o peso do sector financeiro bloqueou eventuais denúncias.
"Os bancos estavam com um poder tal neste país que a gente não podia ir contra eles" afirmou o antigo acionista do BES e presidente da Semapa, que controla a Portucel.
"As coisas que não nos agradavam tínhamos de as engolir" acrescentou, recordando a ocasião em 2001, quando tentou comprar a CIMPOR mas foi bloqueado por uma ação conjunta de Ricardo Salgado e Jardim Gonçalves.
"Não era fácil para mim espoletar guerras com bancos".

"Stress financeiro"
O empresário afirmou ainda que desde 2001, quando abandonou a administração do grupo com exceção da Es Control, se sentia desconfortável com a forma como o GES era gerido. Já se percebia que as coisas não corriam bem há muitos anos, "desde o princípio do século" afirma.
Lembrando que o BES foi reconstruido "pela família" com muitas dificuldades - "não havia dinheiro", "as famílias ficaram muito depauperadas" em termos financeiros "após o 25 de abril" -, o antigo acionista referiu que o banco procurou capitalizar-se em dois momentos.
O primeiro, num "esforço de captação de recurso de portugueses para o banco operar e crescer" ficando-se em "pequenos acionistas".
O segundo "que durou todos os anos 90", baseava-se em "operações de natureza financeira que foram criando uma dívida no grupo". "Muito imaginativas", classificou Pedro Queiroz Pereira, "mas não digo irregulares"."Quando se fala no grupo Espírito Santo, fala-se de Ricardo Salgado. Nada se fazia sem ele. Havia uma pessoa (Salgado) que tinha de dar o 'ok'", disse Queiroz Pereira.
Em 2008, afirma ainda o presidente da Semapa, a crise apanhou o grupo BES em situação de stress financeiro.
"Havia uma dívida já grande, juros a vencer, negócios a morrer e um problema de caixa. Foi-se resolvendo cada vez com mais imaginação e possivelmente com excessiva imaginação em 2011, 2012, 2013."
"Que o dr Salgado não soubesse de nada acho impossível", afirma categórico.
O caso das offshores
As relações com Salgado ficaram ainda mais complicadas quando Pedro Queiroz Pereira percebeu que as ações do grupo Queiroz Pereira, pertencentes a uma das suas irmãs, tinham sido aplicadas em três offshores representadas pelo grupo BES.
Assumindo-se incomodado com a circunstância - "Queiroz Pereira em offshores é uma coisa que não usamos muito", afirmou - o empresário diz ter esbarrado nas evasivas de Ricardo Salgado quando procurou saber mais.
"No fundo eu sabia quem era" reconhece Queiroz Pereira. "Cheguei ao pé do sr Ricardo Salgado com uma 'oferta muito generosa'", para resgatar as ações da irmã, para não ter representantes nomeados por Salgado na administração do grupo Queiroz Pereira. "E ele diz-me 'mas eles não querem receber as propostas'..."
"O dr Ricardo Salgado não lida maravilhosamente com a verdade", referiu com ironia. "Tem outras qualidades", acrescentou, reconhecendo que sem elas o BES não se tinha tornado no banco que se tornou.

A queixa ao BdP
O desentendimento culminou com Pedro Queiroz Pereira a ir ao Banco de Portugal, fazendo chegar uma carta sobre a Espírito Santo Control (ES Control), 'holding' do GES que reunia as posições acionistas da família Espírito Santo e da qual Pedro Queiroz Pereira foi acionista.
O empresário assumia as suas dúvidas em relação às contas da ES Control e do GES. "Fui dizer ao Banco de Portugal que a situação era calamitosa" refere.Nos seus contactos com o Banco de Portugal - "uma reunião com o dr Pedro Duarte Neves e com duas pessoas" a 4 de outubro de 2013 - ficou sem saber se o regulador já estava informado do que se passava.
"Ficaram com cara de pau" disse, "não me disseram nada" e "até me interroguei, será que sabiam será que não sabiam", afirmou Pedro Queiroz Pereira.
O Banco de Portugal voltou a contactá-lo depois para fornecer mais elementos, "que eu enviei".
"Posteriormente a isso só volto a contactar o BdP para anunciar que tinha feito um acordo e não prosseguiria com a litigância", esclareceu o empresário. "Nunca troquei uma palavra nem ao telefone, com o dr Carlos Costa" eu não tenho esses contactos com o BdP", referiu ainda.
PQP assumiu que desistiu da queixa porque aceitou uma série de condições de esclarecimento que exigiu para chegar a acordo. "Fazia parte do acordo eu acreditar nos esclarecimentos".
Esses esclarecimentos, referiu, relacionavam-se com problemas de governance. Assumindo perante o Banco de Portugal a permanência do "desconforto com a situação financeira". "No que diz respeito a números não houve uma evolução muito grande" reconhece.
Acusado pelo PCP de ter usado a lei numa guerra entre acionistas, ele mesmo e Ricardo Salgado,Pedro Queiroz Pereira assume-se como "um empresário" que tem de "saber dançar a música que toca", para explicar porque desistiu de queixas contra o líder do BES.
"Imagino que o facto de eu ter ido ao Banco de Portugal terá assustado Ricardo Salgado", reconhece o presidente da Semapa.
"As coisas que não nos agradavam tínhamos de as engolir" acrescentou, recordando a ocasião em 2001, quando tentou comprar a CIMPOR mas foi bloqueado por uma ação conjunta de Ricardo Salgado e Jardim Gonçalves.
"Não era fácil para mim espoletar guerras com bancos".
"Stress financeiro"
O empresário afirmou ainda que desde 2001, quando abandonou a administração do grupo com exceção da Es Control, se sentia desconfortável com a forma como o GES era gerido. Já se percebia que as coisas não corriam bem há muitos anos, "desde o princípio do século" afirma.
Lembrando que o BES foi reconstruido "pela família" com muitas dificuldades - "não havia dinheiro", "as famílias ficaram muito depauperadas" em termos financeiros "após o 25 de abril" -, o antigo acionista referiu que o banco procurou capitalizar-se em dois momentos.
O primeiro, num "esforço de captação de recurso de portugueses para o banco operar e crescer" ficando-se em "pequenos acionistas".
O segundo "que durou todos os anos 90", baseava-se em "operações de natureza financeira que foram criando uma dívida no grupo". "Muito imaginativas", classificou Pedro Queiroz Pereira, "mas não digo irregulares"."Quando se fala no grupo Espírito Santo, fala-se de Ricardo Salgado. Nada se fazia sem ele. Havia uma pessoa (Salgado) que tinha de dar o 'ok'", disse Queiroz Pereira.
Em 2008, afirma ainda o presidente da Semapa, a crise apanhou o grupo BES em situação de stress financeiro.
"Havia uma dívida já grande, juros a vencer, negócios a morrer e um problema de caixa. Foi-se resolvendo cada vez com mais imaginação e possivelmente com excessiva imaginação em 2011, 2012, 2013."
"Que o dr Salgado não soubesse de nada acho impossível", afirma categórico.
O caso das offshores
As relações com Salgado ficaram ainda mais complicadas quando Pedro Queiroz Pereira percebeu que as ações do grupo Queiroz Pereira, pertencentes a uma das suas irmãs, tinham sido aplicadas em três offshores representadas pelo grupo BES.
Assumindo-se incomodado com a circunstância - "Queiroz Pereira em offshores é uma coisa que não usamos muito", afirmou - o empresário diz ter esbarrado nas evasivas de Ricardo Salgado quando procurou saber mais.
"No fundo eu sabia quem era" reconhece Queiroz Pereira. "Cheguei ao pé do sr Ricardo Salgado com uma 'oferta muito generosa'", para resgatar as ações da irmã, para não ter representantes nomeados por Salgado na administração do grupo Queiroz Pereira. "E ele diz-me 'mas eles não querem receber as propostas'..."
"O dr Ricardo Salgado não lida maravilhosamente com a verdade", referiu com ironia. "Tem outras qualidades", acrescentou, reconhecendo que sem elas o BES não se tinha tornado no banco que se tornou.
A queixa ao BdP
O desentendimento culminou com Pedro Queiroz Pereira a ir ao Banco de Portugal, fazendo chegar uma carta sobre a Espírito Santo Control (ES Control), 'holding' do GES que reunia as posições acionistas da família Espírito Santo e da qual Pedro Queiroz Pereira foi acionista.
O empresário assumia as suas dúvidas em relação às contas da ES Control e do GES. "Fui dizer ao Banco de Portugal que a situação era calamitosa" refere.Nos seus contactos com o Banco de Portugal - "uma reunião com o dr Pedro Duarte Neves e com duas pessoas" a 4 de outubro de 2013 - ficou sem saber se o regulador já estava informado do que se passava.
"Ficaram com cara de pau" disse, "não me disseram nada" e "até me interroguei, será que sabiam será que não sabiam", afirmou Pedro Queiroz Pereira.
O Banco de Portugal voltou a contactá-lo depois para fornecer mais elementos, "que eu enviei".
"Posteriormente a isso só volto a contactar o BdP para anunciar que tinha feito um acordo e não prosseguiria com a litigância", esclareceu o empresário. "Nunca troquei uma palavra nem ao telefone, com o dr Carlos Costa" eu não tenho esses contactos com o BdP", referiu ainda.
PQP assumiu que desistiu da queixa porque aceitou uma série de condições de esclarecimento que exigiu para chegar a acordo. "Fazia parte do acordo eu acreditar nos esclarecimentos".
Esses esclarecimentos, referiu, relacionavam-se com problemas de governance. Assumindo perante o Banco de Portugal a permanência do "desconforto com a situação financeira". "No que diz respeito a números não houve uma evolução muito grande" reconhece.
Acusado pelo PCP de ter usado a lei numa guerra entre acionistas, ele mesmo e Ricardo Salgado,Pedro Queiroz Pereira assume-se como "um empresário" que tem de "saber dançar a música que toca", para explicar porque desistiu de queixas contra o líder do BES.
"Imagino que o facto de eu ter ido ao Banco de Portugal terá assustado Ricardo Salgado", reconhece o presidente da Semapa.