Acusada pelo Chega, ministra da Justiça recusa mentiras sobre polémica da destruição de químicos pela PJ

Acusada pelo Chega, ministra da Justiça recusa mentiras sobre polémica da destruição de químicos pela PJ

Rita Alarcão Júdice explica que está a apurar detalhes dos documentos solicitados à Polícia Judiciária. Em causa está o valor do orçamento da PJ para destruir os químicos encontrados na galera de um camião entregue na Construbarcelos.

Guilherme de Sousa / Adicionar como fonte informativa
Lusa

A Ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, garante que não mentiu sobre o orçamento para a destruição de material da operação Pacoba. “Não houve qualquer mentira, ninguém mentiu. Houve uma informação veiculada pelos serviços da Polícia Judiciária e que eu inclui na resposta que dirigi ao Chega”, explicou durante uma audição no parlamento.

Em causa estão as declarações do ministro Luís Neves ontem também numa audição quando referiu que os 144 mil euros eram apenas para destruir os químicos. Há poucos dias, o Ministério da Justiça tinha dito o contrário, indicando que este era o valor para vários processos.

 

“Estamos a apurar com maior detalhe o que se está a passar”, afirmou a Rita Alarcão Júdice, acrescentando que “o orçamento que é prestado não identifica os processos que dizem respeito, o orçamento que foi apresentado tem uma quantidade elevada de materiais para serem destruídos. Todos esses itens estão nesse pacote”.

A pergunta que eu fiz e os esclarecimentos que aguardo é a confirmação de que todos esses itens que estão nesse orçamento correspondem ao processo Pacoba. A informação que tenho agora é que efetivamente pertencem a essa operação, mas correspondem a muito mais material além do que estava na galera”, justificou hoje na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

O atrelado com químicos apreendidos num processo de tráfico de droga é uma das polémicas que envolvem os mandatos do atual ministro da Administração Interna à frente da PJ.

Por decisão de Luís Neves, que a considerou um “puro ato de boa gestão”, o atrelado foi entregue a um empreiteiro de Barcelos, João Carvalho, de quem Neves reconheceu ser amigo, o qual ganhou 17 empreitadas de obras na PJ e que foi contratado pelo atual ministro para obras a título pessoal numa propriedade sua em Odemira, no Alentejo.

O caso do atrelado é atualmente alvo de um inquérito criminal pelo Ministério Público, um dos três que envolvem Luís Neves, confirmou o procurador-geral da República.

Estão também em curso auditorias à PJ que abrangem maioritariamente o período em que foi liderada por Luís Neves. Uma delas é interna, e foi pedida pelo sucessor de Neves, Carlos Cabreiro, a outra é conduzida pela Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça (IGSJ), cujas conclusões a ministra já apontou para o final do ano.

Com Lusa

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