Adiar eleições? Ventura justifica mudança de posição com "impacto" da depressão, sugere "acordo municipal"

Adiar eleições? Ventura justifica mudança de posição com "impacto" da depressão, sugere "acordo municipal"

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) entende que não existe enquadramento legal para um adiamento geral da segunda volta das eleições presidenciais, mas André Ventura insiste que é possível encontrar uma "solução".

Teresa Borges /

Foto: Tiago Petinga/LUSA

Nós certamente que encontraremos no parlamento, e com o Presidente da República, o fundamento para, seja através de um estado de emergência, seja, por exemplo, através de um acordo municipal que envolva todos os municípios, ou quase todos, e a Associação Nacional de Municípios os represente, numa espécie de declaração de calamidade na maior parte dos municípios, ou em todos os municípios", defende o candidato presidencial. “Não me digam que não há solução”, reforça.

O líder do Chega diz que contactou o Presidente da República e que sugeriu que seja estudada uma "forma de verificar a possibilidade de adiar as eleições, porque as pessoas estão a sofrer e não faz sentido tratarmos os portugueses de uma maneira e outros de outra". Aguarda ainda resposta do chefe de Estado.

Também sem sucesso, a tentativa de contacto com António José Seguro. “Já tentei fazê-lo, mas ainda não tive essa resposta por parte do adversário. O que lamento. Vou continuar a tentar ao longo das próximas horas”, garante, em declarações aos jornalistas no final de uma reunião com a Associação de Criadores de Gado do Algarve, em Odiáxere, concelho de Lagos.

A proposta de adiar por uma semana a segunda volta das eleições foi feita horas antes, durante um almoço em São Bartolomeu de Messines, concelho de Silves, onde o candidado a Belém considerou que, perante os efeitos das sucessivas depressões, não existem "condições de ter eleições marcadas e disputadas neste contexto". ”Ninguém está com cabeça para votos”, justificou.

"Eu vou propor hoje e vou propor ao outro candidato e ao Presidente da República e aos vários poderes municipais que, por uma questão de igualdade de todos os portugueses, se adie uma semana o ato eleitoral", adiantou num almoço com autarcas do Chega, no Algarve.

À saída do encontro, questionado pelos jornalistas sobre em que quadro legal se inseria esta proposta, não clarificou. “Acho que podemos iniciar os primeiros passos, legalmente, politicamente, para termos uma situação que permita o adiamento das eleições, independentemente do instrumento jurídico que venha aqui a ser usado, seja ele de emergência ou não seja ele de emergência”, disse o candidato a Belém, admitindo que esta solução poderá passar pela declaração do estado de emergência “se for necessário”.

Ao final da tarde, em Odiáxere, já depois de conhecida a deliberação da CNE, o tema voltou à campanha. A sugestão de adiar a votação surge um dia depois de o candidato presidencial não se querer "pronunciar” sobre a possibilidade de adiamento da votação em concelhos afetados pelo temporal "para não criar instabilidade", acrescentando que espera que as eleições decorram com “normalidade”. Agora, Ventura entende que não era possível prever um "impacto" desta dimensão.

Nenhum de nós sabia o impacto que isto ia ter no país desta forma. Pior, nenhum de nós sabia que uma nova depressão se ia aproximar do território sexta-feira, sábado e domingo”, apontou André Ventura, questionado pelos jornalistas.
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