Albuquerque assume que falta de credibilidade da oposição contribuiu para a vitória
O chefe do executivo madeirense assume que a vitória do PSD nas últimas regionais resultou da conclusão, pelo eleitorado, de que a oposição não era credível para assegurar a estabilidade, enquanto o Governo Regional apresentou bons indicadores económicos.
"Não tenho dúvida nenhuma de que as pessoas tomaram consciência que era fundamental termos um governo de legislatura [de quatro anos], porque todos os indicadores macroeconómicos da região são positivos", disse Miguel Albuquerque, numa entrevista à agência Lusa, no Funchal.
Na sua leitura, as pessoas "fizeram uma ligação desses indicadores à boa governação e, por outro lado, perceberam outra coisa: que os sobressaltos e a própria oposição não são credíveis no sentido de garantir uma linha de rumo para a Madeira. E foi nesse sentido que a maioria do eleitorado deu a vitória ao PSD", descreveu.
Em 23 de março realizaram-se eleições legislativas regionais antecipadas na Madeira, provocadas pela aprovação de uma moção de censura apresentada pelo Chega e pela consequente queda do Governo Regional do PSD, que tinha 19 deputados e o apoio dos dois deputados do CDS-PP, insuficiente para a maioria absoluta.
O arquipélago tinha ido a votos 10 meses antes, noutras regionais antecipadas, depois de Albuquerque ter sido constituído arguido num processo que investiga suspeitas de corrupção e de se ter demitido.
Para este novo mandato, os sociais-democratas conseguiram eleger 23 deputados, num universo de 47 lugares que compõem a Assembleia Legislativa, e fizeram um acordo parlamentar e governativo com os democratas-cristãos que lhes permitiu formar uma maioria absoluta (24 assentos).
O parlamento madeirense é ainda constituído por 11 deputados do JPP, oito do PS, três do Chega e um da IL.
Foi então constituído o XVI Governo Regional, mantendo apenas dois dos secretários regionais da anterior equipa (o da Educação e o do Turismo).
"Acho que foi uma aposta numa renovação de quadros. É importante nós termos quadros políticos mais jovens, com nova visão do mundo, com outra energia. Acho que foi uma renovação normal e no sentido de darmos continuidade às políticas, não tem nada de extraordinário", declarou Miguel Albuquerque, no cargo desde 2015.
Assegurando que o PSD sempre foi um partido de diálogo, apesar das acusações da oposição no sentido contrário, o governante reforçou que a Madeira tem "neste momento o único regime parlamentar do país" e realçou que o executivo madeirense "comparece todos os meses no parlamento".
"É escrutinado como, penso, nenhum outro e nós entendemos que é fundamental estarmos disponíveis para o diálogo, no sentido de encontrar plataformas de entendimento relativamente àquilo que é essencial para o presente e futuro da região", afirmou.
O Programa do Governo Regional que foi aprovado no parlamento madeirense em 08 de maio, com os votos favoráveis da maioria PSD/CDS, a abstenção da IL e os votos contra de JPP, PS e Chega, resultou, segundo o também presidente do PSD/Madeira, "do sufrágio dos madeirenses e porto-santenses - é esse Programa que vai ser executado".
"Muitas das propostas são transversais a todos os partidos", sublinhou o presidente, admitindo que os sociais-democratas madeirenses estão "sempre disponíveis para entendimentos pontuais naquilo que for necessário, e não desvirtuando a essência do Programa", mas também não tem "nenhum complexo de consenso" porque nem todos são obrigados a pensar da mesma maneira.
"A democracia existe para haver uma dialética parlamentar e haver alternativas. O que nós entendemos é que este é o Programa que foi aprovado na assembleia e sufragado pela população", vincou.
Sobre o facto de os principais partidos da oposição terem votado contra o documento, Albuquerque opinou que seria "mau" ter a sua aprovação - indicaria que o PSD estava "a trabalhar ou a apresentar ideias, algumas delas ultradisparatadas, da oposição".
Quanto aos principais objetivos para esta legislatura, Miguel Albuquerque quer "retomar e dar continuidade" ao trabalho que tem sido desenvolvido, até porque a região tem conseguido ter "um crescimento económico superior ao nacional" e tem vindo a "crescer há 48 meses de forma ininterrupta".
As perspetivas, indicou, apontam para um Produto Interno Bruto (PIB) de 7.500 milhões de euros este ano. Por outro lado, o arquipélago tem um desemprego residual e uma "dívida pública inferior à média europeia e muito inferior à média nacional", tendo efetuado uma amortização de dívida pública de 1. 100 milhões, além de averbar superávites orçamentais e a redução fiscal.
"Portanto, a ideia é manter este crescimento económico", reforçou, referindo que pretende fazer também uma aposta em três áreas essenciais: a construção de habitação, os lugares nos lares - "o que está a ser feito no quadro dos investimentos do Plano de Recuperação e Resiliência" - e, na saúde, a conclusão das obras do Hospital Central e Universitário da Madeira e a nova unidade de saúde do Porto Santo.