Política
Ana Gomes: "Governo provoca Tribunal Constitucional porque é um delinquente contumaz"
No Conselho Superior da Antena1 desta manhã, Ana Gomes considera que o Governo provoca o Tribunal Constitucional com os cortes que inscreve no Orçamento do Estado para 2014, “porque é um delinquente contumaz”. “Ao visar os salários e as pensões o Governo visa uma solução mais eficaz e duradora do género daquela que faz ao instigar a emigração. Com o choque de expectativas de que fala o primeiro-ministro o que se procura é eliminar pelo choque e pavor as próprias pessoas”, sublinha.
Foto: Antena1
Ana Gomes afirma que o anúncio do corte nas pensões de sobrevivência no passado domingo “como foi feito visou expor o vice-primeiro-ministro – por parte de alguém de dentro da própria coligação – como um rematado mentiroso, visto que este anúncio foi feito depois de ele ter vindo anunciar amanhãs cantantes sem mais austeridade”. “E também foi feito para preparar a opinião pública para o pior, e para depois vir o Governo – neste caso até Paulo Portas – apaziguar os humores populares. Isto é a chamada gestão de expectativas a que o Governo já nos habituou”, ironiza.
A eurodeputada socialista defende que o Executivo “está a passar por cima da questão de fundo”, visto que no Orçamento do Estado está em causa “uma autêntica subversão do regime contributivo, porque este roubo das pensões de sobrevivência atinge prestações que resultam de um contrato feito pelos cidadãos com o Estado na base de carreiras contributivas em que as pessoas trabalharam e descontaram para ter essas pensões”.
“Esta injustiça é agravada por o governo se propor atingir quem acumular pensões de reforma e sobrevivência acima dos 2.000 euros, mas deixa por exemplo de fora quem possa acumular uma pensão de reforma com rendimentos milionários de capitais, de rendas, etc.”, acrescenta.
Ouvida pelo jornalista Luís Soares, Ana Gomes refere ainda que os governantes estão a dar “uma machadada na confiança dos cidadãos no Estado”. “O Governo não vai buscar dinheiro onde está e pede contribuições a outros. Não vemos o Governo pôr em causa os contratos ruinosos das PPP, dos ‘swap’, das empresas de consultadoria que continua a contratar para fazerem o trabalho dos funcionários do Estado, nem vemos o Estado pôr em causa contratos com empresas que ativamente o esbulharam, como a Galilei e a Ferrostal, que continuam a concorrer a privatizações”, argumenta.