André Pestana diz que Cotrim "mostrou garras" ao admitir apoiar Ventura
O candidato presidencial André Pestana criticou hoje Cotrim Figueiredo e disse que mostrou as "suas garras" e "deu vários tiros nos pés" ao não excluir apoiar André Ventura numa segunda volta.
"Sei que o Cotrim [Figueiredo] revelou que não exclui sequer apoiar o André Ventura à segunda volta. Acho que é interessante, porque eu tenho encontrado muita juventude que me diz que até acha que é na onda do liberal e André Ventura não. Isso é direita retrógrada, racista. Mas agora, pelos vistos, o Cotrim está a revelar as suas garras", declarou André Pestana aos jornalistas, em Matosinhos (Porto).
À margem de uma ação de campanha sobre habitação na Cooperativa Tripeira Barranha, na Senhora da Hora, em Matosinhos (distrito do Porto), o candidato presidencial André Pestana considerou que a revelação de hoje do também candidato Cotrim Figueiredo mostra "alguma proximidade muito estranha" a Ventura.
"Eu acho que [Cotrim] deu vários tiros em vários pés. Neste caso, dois [pés], que à partida não tem mais do que dois, mas isso ficou a quem o disse, mas revelou aí uma proximidade muito estranha", declarou, alertando que André Ventura está sempre a "mudar".
O candidato André Pestana criticou Cotrim Figueiredo por estar a dar "crédito a Ventura".
"Ouvir do Cotrim [Figueiredo] que ele [André Ventura] agora mudou e que devemos ver isso como uma referência ou como algo estável, também mais uma vez parece-me que Cotrim está a dar crédito ao André Ventura, que não deve ter crédito nenhum, por mil e uma coisas que ele disse".
Pestana recordou "a perigosidade de André Ventura", lembrando que defendeu a "caça ao imigrante num congresso em Madrid da extrema direita, em que disse que ficou orgulhoso da caça a imigrantes que houve em Espanha", andando a fazer caçadas, como de extrema direita, mesmo tipo nazis a procurar as pessoas".
Questionado pela agência Lusa sobre o sentido de voto numa segunda volta das eleições presidenciais caso não esteja presente, André Pestana explicou que como o programa foi construído para ser um coletivo a definir esse sentido de voto e isso só vai acontecer no fim de semana 24 e 25.
"Não vai ser o André Pestana sozinho a decidir. Vai ser mais uma vez as pessoas que têm ajudado, os ativistas, os dirigentes sindicais, os dirigentes dos movimentos sociais, como me desafiaram para avançar".
Pestana assegurou que vai convocar esses apoiantes para decidir o sentido de voto.
"O programa foi construído coletivamente, ou seja, eu não conheço outra candidatura presidencial, que são por excelência unipessoais, mas no meu caso eu só gosto de construir as coisas coletivamente, ou seja aquela frase que diz se queres ir rápido, vai sozinho, mas se queres ir longe vai em conjunto. E eu quero ir longe. Quando digo eu, é no sentido de nós. Que é levar o nosso país para uma sociedade diferente e, por isso, as cooperativas habitacionais têm esse espírito de comunidade, de desporto, do teatro, das salas de estudo. Um espírito que se perdeu muito nas últimas décadas por um estímulo à individualização".
O candidato presidencial Cotrim Figueiredo revelou que numa eventual segunda volta das eleições em que não estivesse, não exclui o apoio a qualquer candidato.
"Não excluo qualquer candidato, mas teria de fazer uma reflexão profunda".
Questionado sobre se apoiaria o adversário André Ventura na corrida a Belém, o antigo líder da IL reafirmou que, nesta altura, não exclui ninguém.
"O André Ventura dos últimos quatro dias eu ainda não conheci. Moderou o discurso e parece um político diferente", considerou.
As eleições presidenciais, às quais concorrem 11 candidatos, estão marcadas para domingo.
Caso nenhum deles consiga mais de metade dos votos validamente expressos, realizar-se-á uma segunda volta em 08 de fevereiro entre os dois mais votados.