André Ventura vê próximas autárquicas como "prova de fogo" para o Chega
O presidente do Chega, André Ventura, afirmou esta noite que as próximas autárquicas serão uma "prova de fogo" e que o partido tem a "obrigação de ganhar" em várias autarquias e freguesias.
Num discurso aberto à comunicação social que encerrou os trabalhos do XX Conselho Nacional do Chega, na Moita, Setúbal, André Ventura afirmou que a "onda que varreu o país nas últimas legislativas tem que ser a onda que vai varrer o país nas próximas autárquicas" com a "vitória do Chega" em várias autarquias.
Ventura insistiu que o seu partido vai vencer legislativas no futuro, mas antes terá que passar pelas eleições autárquicas - que caracterizou como uma "prova de fogo à portuguesa" - nas quais o Chega tem a "obrigação de ganhar em tantas câmaras e juntas", embora sublinhe que "não é o número" de vitórias autárquicas que importa.
"Quando começarmos a ganhar e a ver cair no Algarve, no Alentejo, em Lisboa, no Porto, em Braga, na Madeira, nos Açores, em Bragança, em Leiria, em Viseu. Quando começarmos a ver `Chega venceu esta câmara, Chega venceu aquela câmara, Chega venceu esta junta, chega venceu aquela junta` (...) será para trabalhar, para mostrar uma coisa diferente ao país ", acrescentou.
Sobre o que tem apelidado de um "governo-sombra", André Ventura referiu que os membros desse conjunto "não serão todos do Chega" e que serão "os melhores" mesmo que "tenham dito mal" do Chega ou de si.
O líder do Chega afirmou que esta escolha revela a "superioridade de um partido que mete o interesse nacional acima do seu pequeno interesse partidário", acrescentando que "na curva da história tem que ser só e só por Portugal".
"É a nossa hora. Estamos, como diziam os antigos, mesmo às portas da cidade. Eles já ouvem os tambores. Cá fora ergue-se e junta-se uma multidão de homens e mulheres prontos a entrar na cidade ao primeiro sinal. Não se juntam com violência, não se juntam com ressentimento nem com sede de vingança. (...) Juntam-se porque agora já não têm as amarras de ninguém. Juntam-se porque se sentem livres pela primeira vez", acrescentou.
Ventura disse que a vontade de "triunfar" não é "nenhuma obsessão" nem um "desígnio providencial", mas sim a "vontade trabalhada de todos os dias com uma fúria enorme de querer corresponder e que gostava de ver transformada no partido nos próximos tempos".
Em relação ao resultado das legislativas de 18 de maio, Ventura disse que "o que aconteceu em Portugal não é comparável a nenhum outro país da Europa" e do mundo, e rejeitou que não houve nenhuma "brasileirização" nem "americanização" da política portuguesa e que isso seria "menorizar o que está a acontecer" no país.
"Ninguém saiu de casa para votar no dia 18 ou no dia 28 a pensar no Brasil, na América ou na Europa. As pessoas que saíram de casa no dia 18 e que nos deram o resultado do dia 28 disseram isto: o povo português não precisa de lições de ninguém. Acordou por si, vencerá por si e transformará por si a vontade da Europa e do mundo. Nunca precisamos de ninguém. Nunca precisamos do exemplo de ninguém", atirou.
O presidente do Chega agradeceu ainda o apoio dos "parceiros europeus" do Chega e disse que chegou a hora de o país deixar de ser um "recetáculo do que aconteceu no mundo" e passar a ser "o farol da Europa e do mundo".