Política
António Capucho acusa PSD Cascais de “cobardia política”
A concelhia de Cascais do PSD deu na quinta-feira à noite parecer desfavorável, por unanimidade, à admissão de António Capucho naquela secção. Capucho reage, questionando os fundamentos da decisão e lamenta o gesto de “cobardia política” por não ter podido participar na reunião em causa.
A posição da Comissão Política foi manifestada numa moção votada durante uma reunião realizada na última noite e cuja redação final será divulgada esta sexta-feira. A votação decorreu por voto secreto entre os 18 elementos presentes.
António Capucho tomou conhecimento da decisão através da agência Lusa e diz não estranhar a decisão “por razões que me abstenho de referir agora”.
Em comunicado, António Capucho diz que o processo que entregou na sede nacional ainda nem foi remetido à Secção de Cascais, “pelo que a decisão é extemporânea”. Sem ser conhecida ainda a fundamentação da decisão, Capucho mas, entre os fundamentos que constam do regulamento, argumenta: “Não vislumbro que qualquer deles seja elegível”.
“Lamento que, em manifesto gesto de cobardia política, a Secção não tenham correspondido à minha disponibilidade para participar na reunião a fim de justificar o meu pedido e esclarecer quaisquer dúvidas”, refere Capucho, lembrando que esta não é uma decisão final e que, em última instância cabe ao secretário-geral a última palavra sobre a readmissão no partido.
O militante histórico dos sociais-democratas foi expulso em 2014, quando
apoiou um candidato independente à Câmara de Sintra nas autárquicas de 2013.
Esta semana, o PSD anunciou que António Capucho vai regressar ao partido, referindo-se ao ex-presidente da Câmara de Cascais como um "militante histórico" que ajudou a fundar o PSD, em 1974, tendo a nova ficha de militante dado entrada na sede social-democrata.
Capucho pode apresentar a inscrição em qualquer Secção do PSD.
"Formalmente ainda não recebemos a parte da informação escrita do pedido de inscrição. Só quando ele chegar é que podemos responder por escrito. No entanto, a Comissão Política já tomou posição", explicou o líder da concelhia do PSD, quando foi conhecido o parecer desfavorável.
Primeiro pronuncia-se a comissão política da respetiva secção, depois o processo segue para os órgãos centrais, podendo haver recurso para o conselho jurisdicional e para os órgãos nacionais do partido.
O antigo vice-presidente tinha anunciado a sua intenção de voltar ao PSD após a eleição de Rui Rio na presidência dos sociais-democratas, mas em abril do ano passado o Conselho de Jurisdição indeferiu o seu pedido para anular uma decisão anterior, que lhe permitiria manter o número de militante e evitar nova inscrição, como pretendia, com Capucho a não concretizar então o reingresso nas fileiras do partido.