Política
António Domingues demitiu-se da Presidência da CGD
António Domingues demitiu-se na sexta-feira após a alteração ao Orçamento do Estado (aprovada pelo PSD, CDS e BE) que obriga à apresentação de declaração de rendimentos por parte dos administradores da Caixa Geral de Depósitos.
Em comunicado enviado à Comunicação Social o ministério das Finanças confirmou a decisão. Domingues irá manter-se no cargo até ao final do ano.
"O Governo foi informado pelo Presidente do Conselho Fiscal da Caixa Geral de Depósitos (CGD) da renúncia apresentada pelo Presidente do Conselho de Administração (CA), António Domingues. Renúncia essa que o Governo lamenta", refere o texto do comunicado.
"A renúncia só produzirá efeitos no final do mês de dezembro. Muito brevemente, será designada, para apreciação por parte do Single Supervisory Mechanism, uma personalidade para o exercício de funções como Presidente do CA da CGD, que dê continuidade aos planos de negócios e de recapitalização já aprovados", conclui.
A notícia foi conhecida cerca das 20 horas.
António Domingues tomou posse a 31 de Agosto como Presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos mas o seu mandato nunca esteve isento de polémicas.
Desde há cerca de um mês que se debatia a obrigatoriedade dos membros do Conselho de Administração da CGD apresentarem as suas declarações de rendimentos ao Tribunal Constitucional, com a polémica a centrar-se nas promessas que os responsáveis do Executivo lhes teriam feito nesse sentido.
António Domingues começou por recusar apresentar as suas declarações de rendimentos, admitindo depois fazê-lo ao TC mas sob condição de sigilo. Uma hipótese afastada pela decisão parlamentar de sexta-feira que uniu sociais-democratas, democratas-cristãos e bloquistas.
Antes de assumir a Presidência da CGD António Domingues foi vice-presidente do BPI, tendo-se demitido do cargo a 30 de junho.
À polémica em torno da entrega das declarações de rendimentos pela nova administração da CGD, que António Domingues se recusava a cumprir, juntou-se, em seguida, uma nova polémica relacionada com a eventualidade de Domingues estar na posse de informação privilegiada sobre a CGD quando participou, como convidado, em três reuniões com a Comissão Europeia para debater a recapitalização do banco.
Comissão de Trabalhadores alerta para 'vazio'
O coordenador da Comissão de Trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) alertou que não pode haver um vazio no banco e pediu que seja encontrada rapidamente uma solução após a demissão do presidente do Conselho de Administração.
"Obviamente, estávamos com esperança de que o dr. António Domingues pudesse levar a cabo esta tarefa. Entendemos também que temos de ter um conselho de administração, que não pode haver um vazio na Caixa e que é fundamental que a tutela delibere rapidamente uma solução para este tipo de problema", afirmou à agência Lusa Jorge Canadelo.
"Entendemos que a decisão de nomear administradores para a Caixa cabe à tutela, assim como os esclarecimentos relativos sobre qual é o critério e porquê a nomeação desses administradores", referiu o coordenador da Comissão de Trabalhadores, garantindo que quando tiver oportunidade irá inquirir o ministério das Finanças sobre esta matéria.
A este propósito, Jorge Canadelo relembrou que "há mais de três meses que a Comissão de Trabalhadores solicitou ao gabinete do sr. primeiro-ministro e à tutela da Caixa Geral de Depósitos -- Ministério das Finanças -- reuniões para que os trabalhadores dessem a sua opinião acerca desta matéria, situações que não ocorreram e não por culpa" da comissão.
À pergunta se ficou surpreendido com a demissão de António Domingues, o dirigente considerou que "muitas situações que têm sido criadas, nomeadamente este mediatismo é negativo não apenas para a Caixa, mas certamente atinge todos os seus oponentes".
"E tem sido uma situação que praticamente todos os dias caem em cima da Caixa Geral de Depósitos. Há situações que se passam no setor bancário e noutras áreas de atividade que eu não vejo retratadas desta maneira", apontou.
Com Lusa
"O Governo foi informado pelo Presidente do Conselho Fiscal da Caixa Geral de Depósitos (CGD) da renúncia apresentada pelo Presidente do Conselho de Administração (CA), António Domingues. Renúncia essa que o Governo lamenta", refere o texto do comunicado.
"A renúncia só produzirá efeitos no final do mês de dezembro. Muito brevemente, será designada, para apreciação por parte do Single Supervisory Mechanism, uma personalidade para o exercício de funções como Presidente do CA da CGD, que dê continuidade aos planos de negócios e de recapitalização já aprovados", conclui.
A notícia foi conhecida cerca das 20 horas.
António Domingues tomou posse a 31 de Agosto como Presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos mas o seu mandato nunca esteve isento de polémicas.
Desde há cerca de um mês que se debatia a obrigatoriedade dos membros do Conselho de Administração da CGD apresentarem as suas declarações de rendimentos ao Tribunal Constitucional, com a polémica a centrar-se nas promessas que os responsáveis do Executivo lhes teriam feito nesse sentido.
António Domingues começou por recusar apresentar as suas declarações de rendimentos, admitindo depois fazê-lo ao TC mas sob condição de sigilo. Uma hipótese afastada pela decisão parlamentar de sexta-feira que uniu sociais-democratas, democratas-cristãos e bloquistas.
Antes de assumir a Presidência da CGD António Domingues foi vice-presidente do BPI, tendo-se demitido do cargo a 30 de junho.
À polémica em torno da entrega das declarações de rendimentos pela nova administração da CGD, que António Domingues se recusava a cumprir, juntou-se, em seguida, uma nova polémica relacionada com a eventualidade de Domingues estar na posse de informação privilegiada sobre a CGD quando participou, como convidado, em três reuniões com a Comissão Europeia para debater a recapitalização do banco.
Comissão de Trabalhadores alerta para 'vazio'
O coordenador da Comissão de Trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) alertou que não pode haver um vazio no banco e pediu que seja encontrada rapidamente uma solução após a demissão do presidente do Conselho de Administração.
"Obviamente, estávamos com esperança de que o dr. António Domingues pudesse levar a cabo esta tarefa. Entendemos também que temos de ter um conselho de administração, que não pode haver um vazio na Caixa e que é fundamental que a tutela delibere rapidamente uma solução para este tipo de problema", afirmou à agência Lusa Jorge Canadelo.
"Entendemos que a decisão de nomear administradores para a Caixa cabe à tutela, assim como os esclarecimentos relativos sobre qual é o critério e porquê a nomeação desses administradores", referiu o coordenador da Comissão de Trabalhadores, garantindo que quando tiver oportunidade irá inquirir o ministério das Finanças sobre esta matéria.
A este propósito, Jorge Canadelo relembrou que "há mais de três meses que a Comissão de Trabalhadores solicitou ao gabinete do sr. primeiro-ministro e à tutela da Caixa Geral de Depósitos -- Ministério das Finanças -- reuniões para que os trabalhadores dessem a sua opinião acerca desta matéria, situações que não ocorreram e não por culpa" da comissão.
À pergunta se ficou surpreendido com a demissão de António Domingues, o dirigente considerou que "muitas situações que têm sido criadas, nomeadamente este mediatismo é negativo não apenas para a Caixa, mas certamente atinge todos os seus oponentes".
"E tem sido uma situação que praticamente todos os dias caem em cima da Caixa Geral de Depósitos. Há situações que se passam no setor bancário e noutras áreas de atividade que eu não vejo retratadas desta maneira", apontou.
Com Lusa