Ao terceiro dia de campanha, Sá Carneiro tornou-se tema nas eleições presidenciais
Francisco Sá Carneiro tornou-se hoje a figura central do terceiro dia da campanha para as eleições presidenciais, com os candidatos a dividirem-se entre acusações de aproveitamento político e críticas ao antigo presidente Aníbal Cavaco Silva.
Num artigo de opinião publicado hoje no Observador, o antigo Presidente da República e ex-chefe de executivo Aníbal Cavaco Silva afirmou-se chocado com a forma como o nome de Sá Carneiro, que morreu em 1980, tem sido invocado por vários candidatos às eleições presidenciais como André Ventura, João Cotrim Figueiredo e Henrique Gouveia e Melo.
A afirmação do social-democrata tornou-se, assim, tema central do terceiro dia oficial da campanha para as eleições de 18 de janeiro, com Luís Marques Mendes a ser o único a saudar o artigo do antigo Presidente da República.
O candidato apoiado por PSD e CDS-PP começou por destacar a sua "grande admiração por Cavaco Silva", que definiu como "talvez o melhor primeiro-ministro da democracia portuguesa", antes de salientar que este fez uma crítica "totalmente legítima".
"Sobretudo por causa de Sá Carneiro. Porque eu acho que, neste momento, vários adversários meus falam de Sá Carneiro não por homenagem, mas por oportunismo. Oportunismo puro", acusou durante uma ação de campanha em Torres Vedras.
Embora sem nomear nenhum dos outros candidatos, Marques Mendes lembrou que o fundador do PPD-PSD não representava o radicalismo, o extremismo ou a arrogância.
"Acho que Sá Carneiro foi provavelmente o melhor político português das últimas décadas. E acho que, se Sá Carneiro não é de ninguém, também não é património exclusivo do PSD, nem de Cavaco Silva", afirmou André Ventura.
Em declarações aos jornalistas junto à estação ferroviária de Pinhal Novo, no distrito do Setúbal, o também líder do Chega defendeu que Cavaco Silva "está errado" e disse estar convencido de que se Sá Carneiro fosse hoje vivo "sentir-se-ia muito mais próximo do Chega, dos valores do Chega, da forma de fazer política do Chega, do que do próprio PSD".
Igualmente visado no artigo de Cavaco Silva, Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal) desvalorizou as críticas do antigo chefe de Estado, dizendo rever-se na "maneira de estar na política, na verticalidade, na frontalidade, na forma arrojada e na falta de medo que Sá Carneiro tinha".
Depois de invocar Sá Carneiro na véspera, em Viseu, Gouveia e Melo criticou hoje quem tenta apropriar-se do legado do antigo primeiro-ministro.
"Agora, não quero falar do passado. Quero falar do presente e do futuro. O mundo já não é o mundo de há 20 anos e eu não concorro contra o senhor ex-Presidente Cavaco Silva", declarou numa ação de campanha em Alijó, no distrito de Vila Real.
Mais veemente nas críticas foi António Filipe, com o candidato apoiado pelo PCP a afirmar que se deve respeitar a memória das pessoas falecidas.
"Eu acho que devemos respeitar a memória das pessoas falecidas e não lhes atribuir opiniões porque elas não estão cá para confirmar nem para desmentir", reforçou.
Num dia em que foi particularmente atacado pelos seus adversários, após na segunda-feira ter surgido em primeiro lugar numa sondagem feita pela Pitagórica para a CNN Portugal, TVI, JN e TSF, António José Seguro escusou-se a comentar o artigo escrito por Cavaco Silva.
"O meu diálogo é com os portugueses. Os portugueses precisam de um Presidente próximo, que os escute, que dê voz a quem não tem voz e que exija à política aquilo que ela deve fazer, que é encontrar soluções para resolver os problemas dos portugueses", respondeu o candidato apoiado pelo PS, em Grândola.
Os portugueses elegem o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa em 18 de janeiro, numas eleições com recorde (11) de candidatos e cuja segunda volta, a realizar-se, decorrerá a 08 de fevereiro.