Ascenso Simões demite-se da direção de campanha do PS

O diretor de campanha do Partido Socialista apresentou a demissão. A informação foi revelada pelo próprio através da sua conta de Facebook. A cessação de funções, já comunicada ao secretário-geral, acontece depois de vários dias de polémicas relacionadas com os cartazes de campanha do PS.

Christopher Marques - RTP /
RTP

“Acabei de informar o secretário-geral do Partido Socialista da minha decisão de cessar as funções de diretor de campanha”, começa por escrever na rede social Facebook, aquela que era até agora responsável pela campanha socialista.

Ascenso Simões, que é cabeça-de-lista do partido pelo círculo de Vila Real, considera que “quem é responsável por uma máquina deve assumir todas as falhas que ela demonstra, deve tirar ilações de tudo o que, publicamente, se reconhece como erro”.

Posto isto, o responsável deixa o cargo, sublinhando que fica “agora mais livre para ser um simples militante”, prometendo “tudo fazer para que o PS se consagre como uma verdadeira força de progresso e de modernização da economia portuguesa”.

Entretanto, o Partido Socialista desconvocou a conferência de imprensa que estava marcada para segunda-feira, e na qual os socialistas iriam explicar a estratégia de comunicação da atual campanha e apresentar os novos materiais.

Ascenso Simões será substituído por Duarte Cordeiro. O vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa e presidente da concelhia do PS – Lisboa tinha sido já o responsável pela campanha de Manuel Alegre em 2011.
Campanha polémica

A demissão surge depois de longas polémicas, em que os olhos têm estado postos nos cartazes afixados pelo PS. O design gráfico começou por chocar na campanha “É tempo de mudança”. Através dos outdoors afixados, o partido prometia que o temporal daria lugar ao bom tempo.

O produto fez as delícias das redes sociais. O cartaz deu lugar a versões em que António Costa pregava, mas também ao regresso de José Sócrates e António José Seguro. Os cartazes que se seguiram ainda agravaram a polémica em torno da campanha socialista.

O partido recorreu a exemplos de pessoas desempregadas, uma das quais estaria sem trabalho há cinco anos. A campanha “Não brinquem com os números, respeitem as pessoas” recorria assim a pessoas que estavam sem emprego desde a governação de Sócrates. Um eventual erro de datas que só viria a ganhar novos contornos.

Na sexta-feira, o jornal Observador noticiou que as pessoas que aparecem nos cartazes os contestaram. Afirmam não ter dado autorização para que a sua cara fosse usada na campanha.

Reportagem de Tiago Contreiras e António Nunes - RTP

Uma das protagonistas da campanha, colaboradora da Junta de Freguesia de Arroios, acusa mesmo os socialistas de terem fabricado a história.

Em comunicado enviado este sábado, a presidente da Junta de Freguesia de Arroios esclarece que foi contactada pelo partido para identificar “possíveis figurantes” que pudessem integrar a campanha e passou a bola para o Rato.

“A minha intervenção neste processo terminou nesse preciso momento, a responsabilidade do que se passou, posteriormente, é da organização de campanha do Partido Socialista”

O partido já tinha pedido desculpas públicas na sexta-feira, tendo começado a afixar uma nova campanha pública no sábado. Cartazes que apresentam o rosto de António Costa, novamente com o lema “É tempo de mudança”.
Ascenso Simões, através do Twitter, defendera então que a alteração já estava programada desde o princípio. Este domingo, tornou pública a sua decisão de deixar o cargo de diretor de campanha do Partido Socialista.
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