Assessor de Cavaco Silva terá sido o autor da denúncia
O Diário de Notícias revela hoje que as suspeitas de que a Presidência da República estaria a ser espiada pelo Governo terão sido avançadas ao jornal Público por Fernando Lima, assessor de Cavaco Silva. José Manuel Fernandes, director do Público, já reagiu a esta informação e considera que o seu jornal poderá estar sob escuta.
No e-mail divulgado pelo DN pode ler-se que Alvarez terá escrito que "na noite de terça-feira, o Fernando Lima telefonou-me a dizer que precisava de falar comigo". O encontro terá ocorrido em Abril de 2008, num café na Avenida de Roma. O assessor ter-lhe-á dito, pelo que se lê no e-mail, que "estava ali a falar comigo a pedido do próprio Presidente da República que acha que o gabinete do primeiro-ministro o anda a espiar".
"A grande prova disto tinha sido dada na Madeira onde o primeiro-ministro tinha enviado um tipo que trabalha para o MAI só para espiar os passos do Presidente e dos homens do seu gabinete", avança a missiva que acrescenta "depois entregou-me um dossier sobre um Rui Paulo da Silva Figueiredo, que é adjunto jurídico do primeiro-ministro e trabalha para o MAI".
No e-mail, Luciano Alvarez terá escrito ainda ainda que "esta história, que pode ser uma bomba ou não dar em nada, tem de começar na Madeira", acrescentado "que o Lima sugere duas perguntas para o início do trabalho (até porque a eles também lhes interessa que isto comece na Madeira para não parecer que foi Belém que passou esta informação, mas sim alguém ligado ao Jardim)".
Na mensagem de correio electrónico enviada por Luciano Alvarez a Tolentino da Nóbrega é ainda referido "que tudo isto pode ser paranóia do Presidente da República e do Lima, mas não deixa de ser grave que o PR pense isto".
"O Lima sugeriu-me que tratasse com ele desta história por e-mail porque estão com medo das escutas", acrescenta Luciano Alvarez, sublinhando que "esta história só é do conhecimento do PR, do Lima, minha e do Zé Manuel Fernandes (que me pediu para não contar a ninguém, mas mesmo ninguém, mas eu tinha de ta contar para tu te pores em campo com o conhecimento total do que estamos a falar). Peço-te por isso toda a discrição".
"Um abraço e vai-te a eles", remata o e-mail hoje divulgado pelo DN.
No mesmo artigo é ainda publicada uma nota da direcção do Diário de Notícias que refere que "sabemos que estamos perante uma situação muito grave - mas documentos que temos na nossa posse não nos permitem fazer de conta que não sabemos".
"O que contamos está evidenciado nestes documentos e autenticidade daquele que é o mais relevante foi-nos confirmada por um dos destinatários", acrescenta.
Director do Público afirma que jornal pode estar sob escuta
José Manuel Fernandes, director do Público, afirma que o seu jornal poderá estar sob escuta e que o acesso ao e-mail trocado entre Luciano Alvarez e Tolentino da Nóbrega só pode ter sido feito pelos serviços secretos.
"Esse mail circulou apenas entre cinco pessoas e nenhuma delas enviou o e-mail para o exterior. Portanto se o mail apareceu em três jornais é porque o Público está sob escuta", afirmou José Manuel Fernandes à TSF, que acrescentou que os serviços de telecomunicações do jornal "vão fazer uma auditoria ao que se passou, para tentar apurar onde é que se verificou a intrusão".
"Conhecendo de quem dependem os serviços de informações, que dependem do primeiro-ministro, e sabendo que estamos a falar de um caso de escutas e sobretudo quando percebi que tinham ido parar a três órgãos de informação diferentes acho que é um trabalho do serviço de informações ou de alguém do género", acusou.
José Manuel Fernandes aponta ainda o dedo ao Diário de Notícias que acusa de violar o Código Deontológico dos Jornalistas.
"Um jornal tendo acesso a um documento destes, e tendo-lhe sido dito que parte dele era forjado, porque parte dele é forjado, não só o utilize como se baseie nele para revelar a fonte do jornalista, que é uma violação do Código Deontológico dos Jornalistas", frisou.
SIS nega acusações de José Manuel Fernandes
Os Serviços de Informações de Segurança negaram o seu envolvimento em eventuais escutas feitas à Presidência da República ou intercepção de comunicações internas do jornal Público.
Num curto de comunicado, de três linhas, o director-geral do SIS, Antero Luís, repudia "as declarações do Dr. José Manuel Fernandes" e desmente "categoricamente o envolvimento do Serviço de Informações de segurança em qualquer actividade de escutas ou intercepção de chamadas".