Ataque informático à TAP expõe dados do Presidente da República

por RTP
Lusa (Foto de arquivo)

Numa nota publicada esta sexta-feira, a página da presidência da República confirma que o Presidente da República tomou conhecimento da fuga de informação de dados privados "devido à intrusão ilegal de registos da TAP Air Portugal" e que "tomou algumas precauções" em relação ao endereço digital, a informação mais sigilosa a ser divulgada.

O Presidente da República "tomou conhecimento da fuga de informação de dados privados, devida a intrusão ilegal de registos da TAP Air Portugal, por um cidadão que a eles tivera acesso", pode ler-se.

Segundo a nota, Marcelo Rebelo de Sousa "imediatamente tomou algumas precauções quanto ao único dado que não era generalizadamente conhecido: o endereço digital".

"Quanto ao resto – nome completo, data de nascimento e residência – já existia esse conhecimento", lê-se ainda.

Anteriormente, a Presidência da República tinha confirmado a informação num esclarecimento enviado ao jornal Público.

Para além da maior figura do Estado, também os dados pessoais de vários elementos do Governo e responsáveis de segurança foram expostos na "deep web" na sequência do ataque informático do grupo Ragnar Locker à transportadora aérea.

De acordo com o Expresso, foram partilhados os dados do primeiro-ministro, António Costa, do deputado do Chega, André Ventura, ou ainda do diretor do Serviço de Informações de Segurança (SIS), Adélio Neiva da Cruz, e do comandante-geral da GNR, Rui Clero.
Riscos para a segurança nacional
Ainda antes de se saber que Marcelo Rebelo de Sousa também está na lista de clientes da TAP afectados por esta violação de dados pessoais, o presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo já alertava para os riscos para a segurança nacional que este ataque informático representa.

Em declarações à Antena 1, Jorge Bacelar Gouveia diz mesmo que, nas mãos erradas, estas informações privadas sobre políticos e responsáveis podem levar a ameaças terroristas.

O constitucionalista e presidente do OSCOT considera que a TAP falhou ao não se preparar para estes ataques informáticos quando era previsível que a empresa ia acabar por ser um alvo.

A TAP Air Portugal sofreu um ataque informático em agosto levado a cabo pelo grupo Ragnar Locker. Entre outros, foram expostos vários dados de clientes, incluíndo o nome, morada, e-mail, contacto telefónico, data de nascimento e número de passageiro.

De acordo com a companhia aérea, a informação divulgada sobre cada cliente pode variar, mas não há indícios de que tenham sido divulgados dados de pagamento. O Ministério Público já ordenou a abertura de um inquérito a este ataque informático.
pub