Bagão Félix afirma que não é preciso saber economia para perceber insustentabilidade da dívida

O antigo ministro das Finanças Bagão Félix considera que é impossível de pagar a dívida tal como se encontra atualmente, daí que seja importante a sua reestruturação, conforme defende o manifesto “Preparar a reestruturação da dívida para crescer sustentadamente”. Bagão Félix é um dos 70 subscritores do documento.

Sandra Henriques /

Foto: Antena 1

Em entrevista ao jornalista da Antena 1 Nuno Rodrigues, Bagão Félix faz as contas que mostram a insustentabilidade da dívida pública portuguesa: “Cada Estado terá que pagar ou amortizar por ano cinco por cento da dívida que excede os 60 por cento. A nossa dívida excede os 120, mas vamos supor que são 120 por cento. Portanto, a parte que excede os 60 por cento é outros 60 por cento. 5 por cento por ano de amortização destes 60 por cento dá 3 por cento”.

“Se se juntar os juros que nós pagamos, que corresponde mais ou menos a 4,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), teremos só para o serviço da dívida em cada ano que ter 7,5 por cento do PIB, ou seja, 3 por cento para amortizar a dívida e 4,5 por cento para pagar juros. Não é preciso saber de economia para se perceber que isto é impossível”, argumenta.

O manifesto “Preparar a reestruturação da dívida para crescer sustentadamente”, assinado por 70 personalidades de vários quadrantes da vida portuguesa, propõe taxas de juro reduzidas e o alargamento do prazo para pagar a dívida.

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