Bagão Félix defende que Portugal deve aproveitar oportunidade criada pelo FMI

No Conselho Superior da Antena1 desta manhã, Bagão Félix considera que Portugal tem que aproveitar a oportunidade criada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) quando este reconheceu que subestimou os efeitos recessivos da austeridade e que devia ter sido dado mais tempo aos países sob assistência para reduzirem o défice orçamental.

Sandra Henriques /
“Este ‘mea culpa’ do FMI pode ter importantes repercussões para Portugal. É um dos credores privilegiados, é uma instituição reconhecida como muito ortodoxa, e o facto de dizer que os modelos teóricos e econométricos são falíveis tem que ter algumas consequências”, observa Bagão Félix, em declarações ao jornalista Luís Soares.

O antigo ministro do Trabalho e das Finanças sublinha que Portugal “tem que aproveitar” esta oportunidade para rever alguns dos pressupostos das metas de combate ao défice orçamental. “O que o FMI disse é que se enganou redondamente na repercussão de cada euro de austeridade”, refere.

Bagão Félix admite que deve ser dado mais tempo a Portugal para cumprir as metas estabelecidas: “Não defendo mais tempo para relaxar o saneamento das contas públicas, mas defendo para resolver o conflito entre o curto e o longo prazo, ou seja, para diminuir o fosso de tempo entre a necessidade imperativa de finanças públicas equilibradas e a produção de efeitos a prazo nas reformas estruturais na economia, que demora muitas vezes pelo menos uma década”.

“Em segundo lugar, porque o objetivo de consolidação das contas públicas tão concentrado no tempo prejudica o relançamento económico”, acrescenta, frisando que “não se pode resolver em três anos um problema de décadas”.

Por último, Bagão Félix apresenta como argumento para defender que deve ser mais tempo a Portugal a importância da aposta no investimento. “A verdadeira reforma da economia passa necessariamente pelo aumento do investimento como o verdadeiro motor da alteração da estrutura produtiva”, aponta. Bagão Félix recorda que há 30 anos o investimento significava 30 por cento do PIB e hoje representa 17 a 18 por cento.

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