Barómetro mostra maioria de PSD e CDS-PP em risco

É em queda pronunciada nas intenções de voto que os social-democratas cumprem o primeiro ano depois da vitória nas legislativas de 2011, indica um barómetro da Universidade Católica para a RTP, Antena 1, Diário de Notícias e Jornal de Notícias. Se decorressem hoje eleições, PSD e CDS-PP, as forças políticas que suportam o Governo de Pedro Passos Coelho, teriam um resultado agregado de apenas 42 por cento dos votos. A esquerda parlamentar obteria 51 por cento. A cair está ainda a avaliação de desempenho do Executivo.

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Na avaliação dos membros do Executivo, a nota mais baixa cabe ao ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas Manuel de Almeida, Lusa

Um ano depois da vitória nas eleições legislativas de 5 de junho de 2011, a maioria formada por PSD e CDS-PP está em risco. Se os portugueses fossem hoje chamados às urnas para definirem um novo Parlamento, haveria um quadro de potencial empate técnico entre socialistas e social-democratas – o PS teria 33 por cento dos votos e o PSD 36 por cento, uma diferença que pode ficar a dever-se ao erro de amostra, ao passo que o CDS-PP conseguiria um resultado de seis por cento e as forças à esquerda dos socialistas, CDU e Bloco de Esquerda, teriam, cada uma, nove por cento.

Nas eleições do ano passado, os votos de PSD e CDS-PP perfizeram 50,4 por cento. O barómetro da Universidade Católica atribui-lhes agora 42 por cento. PS, CDU e Bloco de Esquerda tiveram 41,5 por cento a 5 de junho de 2011. Têm agora 51 por cento. Da comparação com os números de idêntico estudo concretizado em setembro de 2011 resulta que o PSD é o único partido que se apresenta em recuo pronunciado nas intenções de voto: averbava 43 por cento; tem agora 36 por cento.

A beneficiar da quebra do PSD estão a coligação entre PCP e Partido Ecologista “Os Verdes” e o Bloco de Esquerda. Relativamente aos números de setembro, o PS mantém os mesmos 33 por cento. E o CDS-PP iguala os seis por cento então apurados. Já o partido de Francisco Louçã cresce de seis para nove por cento e a CDU de sete para nove por cento.

No universo dos inquiridos, 22 por cento indicaram que não iriam votar e dez por cento que não decidiram se votariam. A estimativa de resultados eleitorais assenta no cálculo da percentagem de intenções diretas de voto em cada uma das forças partidárias face ao conjunto dos votos válidos, excluindo-se as abstenções e as não respostas. Os indecisos são redistribuídos a partir de uma segunda questão sobre a intenção de voto.Chumbo ao Governo
Em degradação acentuada está igualmente a avaliação do Governo. Em setembro de 2011, apenas três meses após o escrutínio que pôs fim à governação de José Sócrates, 20 por cento dos eleitores então inquiridos indicavam não saber como avaliar a equipa constituída por Pedro Passos Coelho. Esse grupo abarca agora seis por cento dos inquiridos.

Assim, em 67 por cento de avaliações negativas, o desempenho do Executivo de coligação revela-se “muito mau” para 30 por cento dos eleitores auscultados e “mau” para 37 por cento, contra, respetivamente, os 16 e os 30 por cento de setembro. A nota de “muito bom” é dada por um por cento dos inquiridos (o mesmo valor do anterior barómetro) e a de “bom” por 24 por cento (31 por cento em setembro).

Na avaliação das políticas prosseguidas pelo Executivo, com uma escala de zero a 20, somente o dossier europeu merece uma nota próxima de dez (9,2 contra 9,5 em setembro). Emprego e economia, as duas grandes pastas do Ministério de Álvaro Santos Pereira, recolhem as piores notas – 4,1 e 5,5, respetivamente. À Segurança Social são atribuídos 6,9, a mesma nota dada à Política de Saúde. A Educação é avaliada com uma nota média de 8,1.

Também nas respostas a uma pergunta sobre a comparação entre os desempenhos do atual Executivo e do anterior elenco governativo, aumentou o número de inquiridos que considera “pior” a folha de serviços da equipa de Passos Coelho – 24 por cento, contra 16 por cento em setembro. Um desempenho “melhor” é a opinião manifestada por 30 por cento dos inquiridos (31 por cento no último barómetro). Outros 40 por cento responderam “nem uma coisa nem outra” (42 por cento em setembro) e oito por cento não responderam ou disseram não saber.

Quanto a “expectativas para o futuro próximo em relação à governação”, 27 por cento consideram que o Executivo vai “governar melhor” e outros 27 por cento que vai ter um desempenho “pior”. Trinta e cinco por cento responderam “nem uma coisa nem outra” e 11 por cento deixaram esta pergunta sem resposta.
Miguel Relvas com a pior nota média
Na avaliação individual dos membros do Governo, a pior nota média (5,6 numa escala de zero a 20) pertence ao ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares. Sublinhe-se que o estudo foi efetuado entre os dias 26 e 28 de maio, no termo de semanas de controvérsia em torno de notícias sobre alegadas pressões de Miguel Relvas ao jornal Público a propósito do caso das secretas. A segunda pior nota cabe ao ministro da Economia. Álvaro Santos Pereira fica-se por 7,4.

O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, surge como o governante menos penalizado, com 9,2. Seguem-se a ministra da Agricultura, Assunção Cristas, com 8,5, e o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, com 8,1, a mesma nota que é atribuída à ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz. Aos ministros da Saúde, Paulo Macedo, e da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares, é dada a nota 8. O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco tem 7,8 e o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, 7,7. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, tem uma nota média de 7,9. E o primeiro-ministro, que em setembro tinha 9,8, cai agora para os 8,1, merecendo nota negativa por parte de 52 por cento dos inquiridos.

Pedro Passos Coelho é superado pelos dirigentes partidários da Oposição. O líder socialista, António José Seguro, apresenta uma nota média de 8,7, enquanto o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, e o coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã partilham a nota de 8,3.

Também o Presidente da República vê a sua popularidade regredir. Pela primeira vez nos seus mandatos em Belém, Aníbal Cavaco Silva recebe uma nota média negativa (8,8 contra 10,9 em setembro). A percentagem de avaliações positivas do Chefe de Estado recuou de 72 para 56 por cento.
Ficha Técnica
Esta sondagem foi realizada pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa (CESOP) para a Antena 1, a RTP, o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias nos dias 26, 27 e 28 de maio de 2012.

O universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados eleitoralmente e residentes em Portugal Continental. Foram selecionadas aleatoriamente dezanove freguesias do país, tendo em conta a distribuição da população recenseada eleitoralmente por regiões NUT II (2001) e por freguesias com mais e menos de 3200 recenseados. A selecção aleatória das freguesias foi sistematicamente repetida até os resultados eleitorais das eleições legislativas de 2009 e 2011 nesse conjunto de freguesias, ponderado o número de inquéritos a realizar em cada uma, estivessem a menos de 1 por cento dos resultados nacionais dos cinco maiores partidos. Os domicílios em cada freguesia foram selecionados por caminho aleatório e foi inquirido em cada domicílio o mais recente aniversariante recenseado eleitoralmente na freguesia.

Foram obtidos 1366 inquéritos válidos, sendo que 58 por cento dos inquiridos eram do sexo feminino, 33 por cento da região norte, 21 por cento do Centro, 33 por cento de Lisboa e Vale do Tejo, seis por cento do Alentejo e seis por cento do Algarve.

Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição de eleitores residentes no Continente por sexo, escalões etários, região e habitat na base dos dados do recenseamento eleitoral. A taxa de resposta foi de 49,1 por cento*. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1366 inquiridos é de 2,7 por cento, com um nível de confiança de 95 por cento.

* A taxa de resposta é estimada dividindo o número de inquéritos realizados pela soma das seguintes situações: inquéritos realizados; inquéritos incompletos; não contactos (casos em que é confirmada a existência de um inquirido elegível mas com o qual não foi possível realizar a entrevista); e recusas.

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