BE diz que MAI é "novela permanente de casos" e quer esclarecimentos sobre saída de secretário-geral
O coordenador do BE, José Manuel Pureza, pediu hoje esclarecimentos sobre o afastamento do secretário-geral do ministério da Administração Interna, considerando "um bocadinho constrangedor" a sucessão de "casos e trapalhadas" naquele ministério.
"É um bocadinho constrangedor tudo isto, um ministério como o Ministério da Administração Interna [...] ser palco de uma novela permanente de casos, de trapalhadas, de situações que degradam a vida política, degradam a democracia", afirmou.
O coordenador do Bloco de Esquerda falava aos jornalistas sobre este tema à margem da entrega de uma queixa junto da Provedora de Justiça sobre o erro no cálculo de pensões, que levou a que perto de três mil fossem fixadas acima do valor previsto na lei.
José Manuel Pureza disse que o ministro da Administração Interna tem "essa imagem de alguém que decide, muitas vezes não cumprindo escrupulosamente os procedimentos que são necessários" e "acumula situações de confusão, de atrapalhada".
"O Bloco de Esquerda naturalmente acha que é necessário que no Parlamento, desde logo, se prestem todos os esclarecimentos, neste caso através destas duas figuras que são o ministro da Administração Interna e o anterior secretário-geral do ministério. Mas, mais do que tudo, o que nós desejamos é que esta sucessão de situações que apoucam a democracia, as instituições, que termine de uma vez por todas", defendeu.
O coordenador do BE defendeu que "aquilo que a democracia exige é que haja esclarecimentos cabais" e indicou que o partido irá contribuir para isso através da representação parlamentar.
O bloquista insistiu que Luís Neves "não tem condições para ser ministro", mas Pureza recusou "associar à procissão de atrapalhadas uma procissão de pedidos de demissão".
"O ministro Luís Neves tem sido o protagonista de uma série de situações de confusão, de trapalhada, e, portanto, já há tempo que deixou de ter essas condições para governar um ministério tão sensível como é o Ministério da Administração Interna com rigor, com capacidade plena, sem estar permanentemente manchado por suspensões, por acusações", criticou.
Na segunda-feira, o Ministério da Administração Interna (MAI) anunciou que o secretário-geral daquele ministério, Ricardo Carrilho, cessou funções por determinação do ministro Luís Neves.
Mais tarde, o agora ex-secretário-geral do MAI considerou a exoneração "um ato de retaliação" e acusou o ministro da Administração Interna de "pressões ilegítimas" e "de uma interferência política asfixiante".
Na sequência destas declarações, o ministro emitiu um comunicado no qual justificou a demissão do secretário-geral com "quebra de confiança", resultante de situações, incluindo algumas "de particular gravidade", que "comprometeram o funcionamento dos serviços".
Luís Neves acusou Ricardo Carrilho de ter nos últimos meses "uma permanente atitude de confronto, procurando, por todos os meios, prejudicar o funcionamento do SIRESP" e, "em plena época de incêndios, extinguiu o Centro de Operações e Gestão (COG) do SIRESP - o "centro nevrálgico" da rede de comunicações de emergência - à revelia da tutela, sem apresentar soluções alternativas".