EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Bloco de Esquerda diz que Ruptura/FER “escolheu o sectarismo”

Bloco de Esquerda diz que Ruptura/FER “escolheu o sectarismo”

A Comissão Política do Bloco de Esquerda divulgou, sexta-feira, um comunicado onde considera que a decisão do Ruptura/FER de abandonar o Bloco e formar um novo partido é "irresponsável" e "um passo culminante numa trajetória de sectarismo" que tem marcado a atuação daquele grupo nos últimos anos. O líder da Ruptura/FER, Gil Garcia, revelou hoje que "cerca de 200 bloquistas vão abandonar" o partido e que foi convocado para 10 de março um congresso, no sentido de formar uma nova força política.

RTP /
O líder do Ruptura/FER Gil Garcia anunciou hoje que 200 membros do BE vão abandonar o partido e realizar um congresso para formar uma nova força política Antena1

"O Ruptura/FER integrou-se no Bloco depois da sua fundação e, ao longo desta década, escolheu uma orientação 'entrista', que consistiu durante anos na ocultação das suas divergências, tendo aprovado as resoluções das convenções que agora diaboliza", lê-se no comunicado da comissão política do BE

No mesmo texto, a comissão política bloquista acrescenta que "nos anos mais recentes", o Ruptura/FER "passou a afirmar divergências de fundo sob qualquer pretexto" lembrando "intervenções tão extravagantes como o apelo à constituição de brigadas para apoiar os talibãs no Afeganistão ou apelo ao voto em branco nas eleições presidenciais".

"Durante estes anos, o sectarismo absoluto tornou-se a forma de atuação do grupo. Isso ficou à vista de muitos dos seus militantes iniciais, que se afastaram do grupo e escolheram o Bloco como seu partido", adianta o comunicado,

"Apenas mais um grupo"
Para a comissão política do BE, " enquanto o Bloco se fez para criar uma esquerda socialista com influência de massas, com convergência e força, o novo partido da FER é apenas mais um grupo, entre outros, e com a mesma linha do MRPP".

O comunicado do BE termina afirmando que "o Bloco de Esquerda não desiste nem da esquerda para a luta pelo socialismo contra o capitalismo, nem de um amplo movimento plural e representativo dos trabalhadores e jovens".

Esta sexta-feira em declarações e ao semanário Sol e à agência Lusa, o líder da Ruptura/FER, Gil Garcia, revelou que "cerca de 200 bloquistas vão abandonar" o BE e que está convocado um congresso para 10 de março de 2012 no sentido de formar uma nova força política. Segundo Gil Garcia, a decisão deve-se a "haver discriminação à esquerda" dentro do partido.

Gil Garcia diz que o BE está cada vez mais "institucionalizado e parlamentarizado"Entre as críticas que tece à direção do BE, Gil Garcia disse que o partido está "cada vez mais institucionalizado e parlamentarizado" e que, depois dos "maus resultados eleitorais" nas legislativas, todo o debate interno foi feito "apenas em plenário da moção A" - afeta às três principais correntes, PSR, UDP e Política XXI.

Gil Garcia disse ainda que o congresso de março, em Lisboa, estará "aberto a toda a esquerda, a independentes, a ex-bloquistas e aos novos movimentos sociais das acampadas, e a todos os que não se revêem nas posições oficiais dos partidos e dos sindicatos institucionalizados".

Deputado bloquista João Semedo não está supreendidoNuma reação às declarações de Gil Garcia, o dirigente do BE João Semedo afirmou hoje não estar surpreendido.

"É uma notícia que não nos surpreende", disse à agência Lusa o deputado João Semedo, sublinhando que o líder do Ruptura/FER, uma das forças que integra o Bloco de Esquerda, anunciou pela primeira vez em março passado a intenção de abandonarem o BE.

Assim, sublinhou João Semedo, é um decisão "muito anterior às eleições" de junho, em que o BE perdeu metade do grupo parlamentar, e "associar" o anúncio do Ruptura/FER a este resultado eleitoral "é um erro, uma ilusão e um engano".

João Semedo considerou ainda que o Ruptura/FER "foi sempre um grupo muito pequeno" dentro do BE, "com uma orientação muito radical, de um radicalismo extremista e bastante inconsequente" e "com posições muito cristalizadas e enquistadas politicamente", algumas delas "indefensáveis", acabando por se distinguir e afastar das atividades do partido, pelo que, na opinião do deputado bloquista, a anunciada ruptura "não afetará em nada" o Bloco de Esquerda.
Tópicos
PUB