Política
Bloco “na ofensiva” leva aos socialistas proposta de “ação convergente”
O retrato de uma esquerda “na ofensiva” e a encaminhar-se para “uma ampla base social e política de apoio” a uma alternativa de governo é o que a nova liderança do BE espera fazer esta segunda-feira na sede do PS, em Lisboa. João Semedo e Catarina Martins propõem-se acentuar diante do secretário-geral socialista, António José Seguro, a mensagem de que “há uma urgência em demitir” o Executivo de PSD e CDS-PP e romper com “a política da troika”. E o “diálogo”, enunciam os sucessores de Francisco Louçã, é a “antecâmara” de uma “ação convergente”.
Se “há uma urgência em demitir o Governo e realizar eleições”, não pode haver “aproximações à esquerda sem diálogo, que é a antecâmara da ação convergente” – João Semedo resumia desta forma, na véspera do encontro com António José Seguro no Largo do Rato, a cartografia política do Bloco na esteira da sua última Convenção Nacional.
Na sequência da Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, Catarina Martins e João Semedo pediram reuniões com os diferentes partidos e organizações sociais à esquerda.
A nova coordenação do Bloco já esteve reunida com a CGTP e a UGT. O encontro com o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, está também confirmado, mas falta marcar uma data.
A reunião com Seguro está agendada para as 15h30 desta segunda-feira.
“A esquerda está na ofensiva, a movimentar-se para criar uma ampla base social e política de apoio a um governo de esquerda, o que implica, no nosso ponto de vista, renunciar à política do memorando da troika”, insistiu Semedo, ouvido pela agência Lusa.
O dirigente partidário, que partilha agora a coordenação do Bloco de Esquerda com Catarina Martins, voltou a sustentar que não é possível “realizar uma política de esquerda” sem uma “absoluta rejeição” do programa definido com os credores internacionais. Um passo que ultrapassa em larga medida o que Seguro estará disposto a fazer num futuro próximo.
Mesmo assim, o Bloco pós-Louçã reconhece que “precisa de mais forças”. Para além de um PCP que pautou o XIX Congresso, no início de dezembro, por um ataque sem quartel ao PS. Isso mesmo foi admitido na passada sexta-feira pelo próprio João Semedo, durante uma sessão de esclarecimento na biblioteca de Marinhais, em Salvaterra de Magos, sobre “O impacto do Orçamento do Estado nas nossas vidas”.
“Se os partidos da esquerda rasgarem o memorando e se entenderem numa base mínima para governar, teremos um governo de esquerda”, sugeria então Semedo, que procuraria ainda explicar o que significa “rasgar o memorando” da troika. Trata-se, advogou, de obter uma redução dos juros e da dívida e obstar ao condicionamento da política interna.
“Austeridade sobre austeridade”
Outra das ideias deixadas por João Semedo na véspera da reunião com a liderança socialista foi a de que ficou agora claro que “o Governo se prepara para cortar nas pensões e nas reformas e que esse corte faz parte da poupança de quatro mil milhões” acertada com a missão do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia. O coordenador do BE reagia a uma intervenção de Pedro Passos Coelho no concelho de Penela.
O primeiro-ministro defendeu ontem que o “contributo maior” exigido a reformados com pensões mais altas, no âmbito do Orçamento do Estado para 2013, não está em rota de colisão com a Constituição da República.
“Vai haver um corte muito significativo no valor das pensões e nas reformas e, ao contrário do que o primeiro-ministro disse hoje, não será só nas pensões mais elevadas. Será um corte que atingirá todas as pensões”, reagiu Semedo em declarações à Lusa, para acrescentar que “cortar nas pensões e nas reformas é insistir e agravar o empobrecimento a que [Pedro Passos Coelho] está a conduzir as famílias portuguesas”.
“É mais austeridade sobre uma austeridade que já pesa muito”, enfatizou o deputado.
João Semedo, que na sexta-feira garantira haver “um número de deputados suficiente” para requerer a avaliação da constitucionalidade do Orçamento para o próximo ano, considerou ainda “caricato” o facto de Passos Coelho ter antecipado que a dívida pública portuguesa levará “qualquer coisa como 20 ou 30 anos” a pagar.
Na sequência da Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, Catarina Martins e João Semedo pediram reuniões com os diferentes partidos e organizações sociais à esquerda.
A nova coordenação do Bloco já esteve reunida com a CGTP e a UGT. O encontro com o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, está também confirmado, mas falta marcar uma data.
A reunião com Seguro está agendada para as 15h30 desta segunda-feira.
“A esquerda está na ofensiva, a movimentar-se para criar uma ampla base social e política de apoio a um governo de esquerda, o que implica, no nosso ponto de vista, renunciar à política do memorando da troika”, insistiu Semedo, ouvido pela agência Lusa.
O dirigente partidário, que partilha agora a coordenação do Bloco de Esquerda com Catarina Martins, voltou a sustentar que não é possível “realizar uma política de esquerda” sem uma “absoluta rejeição” do programa definido com os credores internacionais. Um passo que ultrapassa em larga medida o que Seguro estará disposto a fazer num futuro próximo.
Mesmo assim, o Bloco pós-Louçã reconhece que “precisa de mais forças”. Para além de um PCP que pautou o XIX Congresso, no início de dezembro, por um ataque sem quartel ao PS. Isso mesmo foi admitido na passada sexta-feira pelo próprio João Semedo, durante uma sessão de esclarecimento na biblioteca de Marinhais, em Salvaterra de Magos, sobre “O impacto do Orçamento do Estado nas nossas vidas”.
“Se os partidos da esquerda rasgarem o memorando e se entenderem numa base mínima para governar, teremos um governo de esquerda”, sugeria então Semedo, que procuraria ainda explicar o que significa “rasgar o memorando” da troika. Trata-se, advogou, de obter uma redução dos juros e da dívida e obstar ao condicionamento da política interna.
“Austeridade sobre austeridade”
Outra das ideias deixadas por João Semedo na véspera da reunião com a liderança socialista foi a de que ficou agora claro que “o Governo se prepara para cortar nas pensões e nas reformas e que esse corte faz parte da poupança de quatro mil milhões” acertada com a missão do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia. O coordenador do BE reagia a uma intervenção de Pedro Passos Coelho no concelho de Penela.
O primeiro-ministro defendeu ontem que o “contributo maior” exigido a reformados com pensões mais altas, no âmbito do Orçamento do Estado para 2013, não está em rota de colisão com a Constituição da República.
“Vai haver um corte muito significativo no valor das pensões e nas reformas e, ao contrário do que o primeiro-ministro disse hoje, não será só nas pensões mais elevadas. Será um corte que atingirá todas as pensões”, reagiu Semedo em declarações à Lusa, para acrescentar que “cortar nas pensões e nas reformas é insistir e agravar o empobrecimento a que [Pedro Passos Coelho] está a conduzir as famílias portuguesas”.
“É mais austeridade sobre uma austeridade que já pesa muito”, enfatizou o deputado.
João Semedo, que na sexta-feira garantira haver “um número de deputados suficiente” para requerer a avaliação da constitucionalidade do Orçamento para o próximo ano, considerou ainda “caricato” o facto de Passos Coelho ter antecipado que a dívida pública portuguesa levará “qualquer coisa como 20 ou 30 anos” a pagar.