Campo e Sobrado, freguesias de Valongo, exigem correção de união feita "à marretada"

O Movimento pelas Freguesias de Campo e Sobrado, freguesias do concelho de Valongo, vai pedir aos políticos que "corrijam uma união" feita "à marretada" e que "desrespeita" a população, disseram hoje os responsáveis.

Lusa /

"Este tema está nas mãos dos partidos e não vale a pena documentos e palmadinhas que mostram solidariedade se depois, na Assembleia da República [AR], se vota de forma diferente. Queremos que digam de sua justiça perante a população, perante uma população que se sente desrespeitada", disse à agência Lusa Adriano Ribeiro, um dos porta-vozes do movimento que realiza hoje uma reunião sobre o tema.

Assim, foram convidados movimentos que defendem a desagregação de freguesias de vários concelhos do distrito do Porto, bem como a Plataforma Nacional Recuperar Freguesias.

O Movimento pela Desagregação das Freguesias de Campo e Sobrado também estima a presença de representantes de associações locais e conta com os eleitos na Assembleia de Freguesia, bem como de partidos políticos com assento na Assembleia Municipal, somando-se o convite enviado ao PAN -- Pessoas-Animais-Natureza.

"Incluímos o PAN porque tem um eleito pelo Porto na AR e sabemos que é lá que tudo se passa e tudo será merecedor de escrutínio, debate e decisão. Estas populações sempre manifestaram sempre a sua oposição [à agregação] por unanimidade. São radicalmente contra a junção", disse Adriano Ribeiro.

O concelho de Valongo, distrito do Porto, contava, até à entrada em vigor da lei n.º 11-A/2013, com cinco freguesias, sendo que com a reorganização administrativa local Sobrado e Campo foram agregadas.

A agregação destas freguesias foi sempre alvo de polémica e debate, tendo a câmara de Valongo decidido aliás, em reunião de câmara a 30 de outubro de 2015, por unanimidade, submeter à AR uma moção na qual pede a reposição das freguesias de Campo e Sobrado, considerando que a agregação "feriu" os "mais elementares anseios da população".

Em 2016, o Movimento pela Desagregação das Freguesias de Campo e Sobrado entregou na AR um abaixo-assinado com mais de 3.000 assinaturas e em 2019 foi realizada uma Assembleia de Freguesia extraordinária da qual surgiu uma nova moção sobre o tema, igualmente aprovada de forma unânime.

Adriano Ribeiro é de Campo, enquanto António Pinto, que também é porta-voz do movimento, é de Sobrado. À Lusa, ambos descrevem o porquê de considerarem que "não faz sentido nenhum que as freguesias se mantenham agregadas" e recordam que o atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na altura enquanto comentador disse que, citam, "as agregações estavam a ser feitas à marretada".

"Quer o povo de Sobrado, quer o povo de Campo não se identificam com esta agregação. Foi feita à revelia da população. São duas freguesias completamente distintas em termos culturais. Queremos sensibilizar os políticos para que se avance com a desagregação antes das autárquicas [de 2021]. Foi uma agregação irresponsável", referiu António Pinto.

O residente em Sobrado -- freguesia que representa 24% da área total do concelho de Valongo, enquanto Campo representa outros 15%, num total de cerca de 20.000 habitantes -- garante: "O assunto não está esmorecido nem esquecido. Enquanto não conseguirmos a nossa identidade própria, não desistiremos".

Ambos criticam a união também devido à "perda de serviços de proximidade" que dizem "sentir na pele" e contam que "muitas pessoas, desiludidas com a política, deixaram civicamente de estarem ativas".

"Foi uma machada na nossa cultura e identidade. Não ouviram ou ignoraram as posições das pessoas", resumem.

A reunião está marcada para as 21:15 na Casa das Artes em Sobrado.

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