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Candidato pede a Dias Loureiro aulas de "enriquecimento rápido"

Candidato pede a Dias Loureiro aulas de "enriquecimento rápido"

José Manuel Coelho foi à Embaixada de Cabo Verde entregar uma carta com vários pedidos para Dias Loureiro, actualmente a residir naquele país africano. O candidato presidencial madeirense nega ser o "Tiririca português", mas todos os seus pedidos ao antigo ministro se encontram recheados de ironia.

RTP /
José Manuel Coelho, a comer pasteis de Belém, ontem, nas imediações do Palácio que pretende vir a ocupar José Sena Goulão, Lusa

José Manuel Coelho justificou a diligência hoje realizada junto da Embaixada de Cabo Verde como uma "missão muito importante ao serviço do Estado português". Com efeito, a carta dirigida a Dias Loureiro e ctiada pela agência Lusa incita-o a regressar a Portugal e a pôr ao serviço do país o talento que lhe permitiu um "sucesso meteórico nos negócios".

O candidato madeirense considera, é certo, que o ex-ministro se encontra "refugiado num país irmão, que é a República de Cabo Verde" devido ao caso BPN. Coelho insinua também que a escolha desse país de acolhimento resulta de não haver nele acordos de extradição com Portugal. Mas, antecipando-se a objecções que supõe serem as de Dias Loureiro contra um regresso a Portugal, promete-lhe que, "se vier em nosso auxílio, não terá problema nenhum porque os tribunais são mansos".

Essa mansidão dos tribunais portugueses seria, segundo Coelho, a explicação para diversas impunidades. E continua a ironizar, rotulando Dias Loureiro como "o Alves dos Reis moderno, do século XXI" e acrescentando que "por isso era da maior importância vir socorrer os portugueses". O know how de Loureiro seria assim, segundo a ironia de Coelho, útil para ajudar o país a "sair do atoleiro económico".

Alves dos Reis fora o mais famoso burlão do século XX, que fizera imprimir notas falsas com uma ordem de impressão verdadeira, do próprio Banco de Portugal. Com a fortuna obtida à custa desse engenhoso expediente, Alves dos Reis realizara vultosos investimentos que estiveram na origem do Banco Angola & Metrópole. Descoberto, julgado e condenado, cumprira pena e emigrara posteriormente para o Brasil - outro país lusófono, mas em que era irrelevante a inexistência de acordo de extradição porque, nesse caso, as contas de Alves dos Reis com a Justiça já se encontravam saldadas.

A relação do caso Dias Loureiro com a campanha das presidenciais fica clara quando o candidato do PND, José Coelho, lembra que o ex-ministro, agora residente em Cabo Verde, foi "um bom aluno do sr. Professor Cavaco Silva".

E, confessando modestamente a sua ignorânica na matéria, Coelho disse ainda de Loureiro que "é um homem prodigioso no enriquecimento rápido, é um novo Alves dos Reis". E concluiu: "É um artista português e muito hábil nos negócios e quero saber como se faz isso".
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