Carneiro critica "visitas de médico" de governantes "sem dar resposta"
O secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, criticou hoje, em Alenquer, as "visitas de médico" que alguns ministros andam a fazer pelos territórios afetados pelo mau tempo, sem contudo "darem resposta às pessoas".
"Isto não vai lá com visitas de médico de um ministro que passa pelos territórios literalmente como visita de médico para depois não dar resposta às pessoas", afirmou José Luís Carneiro aos jornalistas, antes de ir ver os estragos do mau tempo no concelho.
O líder socialista reiterou que é necessário haver "uma coordenação política e um comando político da parte do primeiro-ministro"
José Luís Carneiro defendeu que deve ser criada uma equipa de gestão "em funcionamento 24 horas sobre 24 horas, na própria Proteção Civil Nacional, para que ao seu lado estejam os diferentes ministérios".
"É ele que deve pegar no telefone ou em quem ele delega essa competência, para ligar às autarcas para que as autarcas não sintam a necessidade de estarem permanentemente a fazer os mesmos apelos por falta de sensibilidade de resposta da parte do Governo", sublinhou.
O líder socialista voltou também a reiterar que a situação de calamidade deve ser alargada a mais concelhos, nomeadamente Arruda dos Vinhos e Alenquer, na região Oeste, e os da Lezíria do Tejo.
Apesar de ter concordado com o adiamento para a semana do debate quinzenal no parlamento, depois da demissão da ministra da Administração Interna e de o primeiro-ministro ter chamado a si essa função, José Luís Carneiro lembrou que"durante o estado de emergência na pandemia [de covid-19], "a Assembleia da República continuou a funcionar", sublinhando que é neste órgão que é feito o "escrutínio e a fiscalização do Governo".
Em Alenquer, no distrito de Lisboa, o mau tempo provocou, até ao momento, 27 desalojados, 75 deslocados, 32 cortadas cortadas e 52 condicionadas.
"Esta última tempestade Marta afetou muito o nosso concelho, muitas estradas destruídas, uma escola primária destruída, muitas habitações também afetadas e algumas delas em ruína completa", explicou o presidente da câmara, João Nicolau (PS).
Num relatório preliminar enviado ao Governo, o município quantificou entre seis a sete milhões de euros os prejuízos no concelho.
O autarca de Alenquer já pediu ao Governo que o concelho seja englobado na situação de calamidade e espera poder beneficiar de medidas excecionais, nomeadamente fundos comunitários para o efeito.