Carneiro defende que a sua liderança uniu o PS quando o "declínio parecia irreversível"
O recandidato a líder socialista, José Luís Carneiro, defendeu hoje que cumpriu "com zelo" a missão de dirigir o PS quando o "declínio parecia irreversível" e que uniu o partido, considerando inaceitáveis posições de "colocar uns contra os outros".
"Foi com sentido de missão que parti para esta responsabilidade. Olhando para trás, sinto que cumpri com zelo o meu dever. Uni o partido. E além da confiança dos militantes e dos simpatizantes, sinto que contribuí para recuperarmos a confiança de amplos setores da sociedade portuguesa", disse Carneiro no discurso de apresentação da sua recandidatura ao cargo de secretário-geral do PS, eleições às quais concorre de novo sozinho.
Referindo-se à sua candidatura, há oito meses, ao lugar deixado por Pedro Nuno Santos, um "mandato de natureza intercalar", o líder socialista defendeu que o fez então "como imperativo de consciência e sentido de responsabilidade para com o país".
"Com a consciência de que em circunstâncias excecionais da vida democrática, os portugueses estavam a olhar para o PS como uma referência dos valores democráticos e constitucionais, cujo declínio parecia irreversível, à semelhança do que acontecera a outros partidos socialistas e sociais-democratas europeus", apontou.
Para Carneiro, "a confiança é decisiva para a qualidade da vida democrática".
"É a razão por que considero inaceitáveis as posições que, por vezes, até vindas de alguns de nós, nos querem colocar uns contra os outros. Os novos contra os velhos, os velhos contra os novos. Os do interior contra os do litoral, do litoral contra o interior. Os rurais contra os urbanos, os urbanos contra os rurais. O povo contra as elites, as elites contra o povo", criticou.
O candidato único à liderança do PS considerou que as eleições autárquicas de outubro mostraram que "o declínio eleitoral não era irreversível e que os valores e os princípios do PS continuam a morar na casa do poder local democrático".
"Nas eleições presidenciais, e ao fim de 20 anos afastados da Presidência da República, fomos capazes de apoiar um único candidato. De apoiar o candidato que passou à segunda volta e que, na segunda volta, com o apoio de todos os democratas, derrotou os extremismos, os populismos e a demagogia", elogiou, numa referência a António José Seguro, mas sem dizer o seu nome.
O secretário-geral do PS apresentou a sua recandidatura "para servir o país" e "com os valores e os princípios da liberdade, da igualdade e da solidariedade", os "valores do socialismo democrático, do socialismo em liberdade, como dizia Mário Soares".
"Da autêntica social-democracia em Portugal. Do equilíbrio entre a liberdade e a igualdade. Do equilíbrio entre o crescimento da economia, a criação de riqueza e a justiça social", disse.