Carneiro espera que Governo oiça PS antes de se pronunciar sobre Conselho da Paz

Carneiro espera que Governo oiça PS antes de se pronunciar sobre Conselho da Paz

O secretário-geral do PS disse hoje esperar que o Governo oiça o partido antes de se pronunciar sobre a participação de Portugal no Conselho da Paz, criado por Donald Trump, e que peça a opinião do Conselho Superior de Defesa Nacional.

Lusa /

"O que desejo é que, quaisquer que sejam as decisões que o Governo venha a tomar, que as tome depois de ouvir o PS e também que procure ouvir o Conselho Superior de Defesa Nacional, como, aliás, é dever do Governo", disse.

O secretário-geral do PS falava aos jornalistas à frente da Comissão Europeia, em Bruxelas, onde irá participar numa reunião do Partido Socialista Europeu (PES) prévia à cimeira extraordinária do Conselho Europeu, onde deverá ser discutido o Conselho da Paz.

José Luís Carneiro referiu que o PS já tem uma posição definida sobre se Portugal deve participar no Conselho da Paz, mas não tenciona torná-la pública antes de a transmitir "aos órgãos e na sede própria", ao Governo e ao Conselho Superior de Defesa Nacional.

"Eu tenho uma posição clara, mas não a devo exprimir publicamente antes de a exprimir nos locais próprios", reforçou.

Nestas declarações aos jornalistas, José Luís Carneiro disse ainda ser favorável a que a União Europeia (UE) emita dívida conjunta para garantir a sua autonomia estratégica, seja "em termos de defesa, energéticos ou de inovação".

"Não é possível garantir essa autonomia estratégica sem recursos financeiros e, por isso, somos favoráveis -- manifestarei essa posição -- somos favoráveis à emissão conjunta de dívida tendo em vista garantir recursos financeiros e plurianuais para financiar esse esforço", disse.

O secretário-geral do PS referiu que essa é uma das recomendações que constam no relatório Draghi, "que deve ser visto como um importante guião de orientação política", e saudou os esforços feitos pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, "para garantir que a Europa fala a uma só voz".

Isso "é absolutamente decisivo na defesa do direito internacional, do multilateralismo, do acordo com o Mercosul, que é estrategicamente relevante para o futuro da UE e para a diversificação dos parceiros da UE", defendeu.

Sobre uma notícia do Correio da Manhã de que uma ex-militante do PS foi detida no âmbito da Operação Irmandade, contra o movimento neonazi grupo 1143, Carneiro disse que o PS se pronunciará sobre esse assunto esta sexta-feira, "fazendo perguntas ao doutor André Ventura sobre essas ligações".

Esta terça-feira, o Governo português disse estar a analisar o convite dos Estados Unidos para integrar o Conselho de Paz para a Faixa de Gaza, apontando "algumas dúvidas" na configuração deste organismo.

Tópicos
PUB