Católicos e islâmicos destacam "exemplo" e "bom sinal" de encontro inter-religioso
Lisboa, 09 mar (Lusa) - Responsáveis da igreja católica e da comunidade islâmica em Portugal destacaram que o encontro inter-religioso em que o Presidente da República hoje participou é "um bom sinal" e "um exemplo" para o mundo.
Representantes de 17 confissões religiosas e associações cívicas participaram hoje numa cerimónia ecuménica na mesquita de Lisboa, no âmbito da tomada de posse do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Em declarações aos jornalistas, o cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, considerou que a celebração é "um bom caminho de contar com as diversas religiões como fatores de paz que elas essencialmente são".
O representante da igreja católica referiu que "religiões quer dizer ligações ou religações àquilo que é comum na humanidade em geral, como princípio e como fim".
"Então que nos reencontremos para ativar essa mesma realidade é muito bom e que o senhor Presidente da República comece assim o seu mandato também é um bom sinal. Cá estamos", sublinhou.
Questionado sobre o significado da visita do Presidente ao Vaticano, na próxima semana, Manuel Clemente considerou que "é uma boa maneira de começar o mandato presidencial", mencionando que, no seu discurso, hoje de manhã na Assembleia da República, Marcelo Rebelo de Sousa "lembrou que Portugal é uma realidade muito antiga e que o primeiro reconhecimento internacional que teve foi precisamente na Santa Sé, no tempo do papa Alexandre III, quando reconheceu Dom Afonso Henriques como rei em 1179".
O imã da mesquita de Lisboa, xeque David Munir, afirmou que o encontro inter-religioso que hoje se realizou "é marcante, é histórico, não é simbólico".
"Esperemos que este exemplo que Portugal está a demonstrar ao mundo sirva para os outros países. É possível juntar e dialogar entre as religiões", disse o xeque Munir, que acrescentou: "Isto só demonstra que há muçulmanos que têm boa vontade e há muçulmanos que querem mesmo a paz, apesar de haver alguns muçulmanos que não desejam a paz e não respeitam as outras culturas".
"Nós todos estamos preocupados com a paz e com o bem-estar, independentemente da crença e da cultura que a pessoa possa ter, pode até não ser crente; é ser humano, merece ser respeitado. Estas iniciativas irão continuar. Hoje, Portugal está de parabéns", salientou.
Durante a cerimónia, que durou cerca de 30 minutos, os representantes de 17 confissões religiosas leram, em conjunto, uma oração ecuménica universal.