Política
CDS elege novo líder. Assunção Cristas apoia Nuno Melo
O CDS-PP elege este fim de semana o novo líder. Há quatro candidatos ao cargo. Nuno Melo, Miguel Mattos Chaves, Nuno Correia da Silva e Bruno Filipe Costa. Assunção Cristas, que foi presidente durante quatro anos, já anunciou que vai apoiar o único eurodeputado do partido e líder da distrital de Braga.
Na rede social Facebook, Assunção Cristas anunciou o apoio a Nuno Melo. “É com sentido de gratidão que vejo o Nuno Melo avançar para a liderança do CDS. Contei com o Nuno como meu vice-presidente e conheço a sua combatividade e qualidades humanas e políticas”, escreveu a ex-presidente do partido, que se pronuncia pela primeira vez sobre as candidaturas à liderança do partido.
“Num momento tão difícil para o partido, é que está em melhores condições para ajudar a renascer o CDS. Que o congresso corra muito bem e seja um momento de união e afirmação é o meu profundo desejo”, rematou Cristas que nas eleições autárquicas tinha criticado a estratégia do seu sucessor, Francisco Rodrigues dos Santos.
29.ºCongresso com quatro candidatos
0 29.º Congresso do CDS-PP vai decorrer sábado e domingo em Guimarães para eleger o novo presidente, que vai suceder a Francisco Rodrigues dos Santos, depois do partido perder a representação na Assembleia da República. Há dez moções de estratégia global em debate, não tendo sido apresentada nenhuma moção setorial.
No congresso eletivo há quatro candidatos assumidos: Nuno Melo (o único eurodeputado do partido e líder da distrital de Braga), Miguel Mattos Chaves (ex-líder da concelhia da Figueira da Foz e vogal da Comissão Política Nacional), Nuno Correia da Silva (antigo vereador da Câmara de Lisboa e vogal da Comissão Política) e Bruno Filipe Costa (militante e antigo membro da concelhia de Lisboa).
Além destes militantes, apresentaram moções de estratégia global os militantes José Seabra Duque e Octávio Rebelo da Costa, além da Juventude Popular, da Tendência Esperança em Movimento e da Federação dos Trabalhadores Democratas-Cristãos.
Também um conjunto de 11 presidentes de distritais afetos a Francisco Rodrigues dos Santos subscreveram uma moção que adota o lema da campanha das eleições legislativas "Pelas mesmas razões de sempre" e é baseada na moção que o líder cessante levou ao congresso de há dois anos.
As moções de estratégia global são votadas em alternativa e são uma espécie de primeira volta para escolher o líder. Quem vencer, por norma, apresenta uma lista candidata à comissão política nacional.
A apresentação de uma moção de estratégia não implica, segundo os regulamentos e os estatutos do CDS, uma candidatura à liderança.
No entanto, "as candidaturas à presidência do partido e à Comissão Política Nacional são apresentadas pelo primeiro subscritor de uma moção de estratégia global", refere o regulamento do congresso.
Os estatutos centristas permitem também o surgimento de candidatos à liderança durante o congresso.
De acordo fonte da organização do congresso, estarão presentes cerca de 1.500 delegados, entre perto de 1.200 eleitos em listas, e inerências.
O 29.º congresso realiza-se dois meses depois das eleições legislativas de 30 de janeiro, nas quais o CDS-PP teve o pior resultado da sua história (1,6 por cento) e perdeu a representação parlamentar.
Ainda na noite eleitoral, depois de conhecidos os resultados, Francisco Rodrigues dos Santos, que tinha sido eleito em fevereiro de 2020, derrotando João Almeida, demitiu-se da presidência do partido.
O líder demissionário vai marcar presença na reunião magna no sábado ao final da manhã e vai dirigir-se aos congressistas, disse à Lusa uma fonte próxima de Rodrigues dos Santos.
De acordo com o programa do congresso, estão previstas, na abertura do congresso, intervenções do líder da concelhia e do líder da distrital, Nuno Melo, candidato a líder.
No primeiro dia do congresso serão apresentados, discutidos e votados os relatórios dos órgãos nacionais, seguida da apresentação das moções de estratégia global.
Durante a tarde, os documentos que visam "fixar a orientação geral do partido" serão discutidos, o que deverá prolongar-se pela noite, e pelas 22h00 arranca a votação, devendo os resultados ser conhecidos na madrugada de domingo.
No domingo de manhã serão eleitos os novos órgãos nacionais do CDS-PP para o mandato 2022/2024 e o congresso deverá terminar com o discurso de consagração do novo líder.
Quanto a antigos líderes, está prevista a presença e uma intervenção por parte de Manuel Monteiro e também se inscreveu no congresso Paulo Portas, mas ainda não está confirmado se irá a Guimarães.
O CDS-PP saiu das crises que atravessou devido a maus resultados nas eleições de 1991 e 1998 com a eleição de novos líderes, Manuel Monteiro e Paulo Portas, e com mudanças de estratégia, um pela direita, o segundo pelo centro.
O 29.º congresso esteve marcado para novembro, e seria em Lamego, mas foi cancelado devido à crise política que resultou em eleições antecipadas.
Ficha do partido
O partido do Centro Democrático e Social (CDS) foi fundado em 19 de julho de 1974, tendo sido registado no Supremo Tribunal de Justiça a 13 de janeiro de 1975.
Entre as personalidades que subscreveram a sua Declaração de Princípios contavam-se Diogo Freitas do Amaral, Adelino Amaro da Costa, Basílio Horta, Vítor Sá Machado, Valentim Xavier Pintado, João Morais Leitão e João Porto.
O partido mudou a sigla para CDS-PP (Partido Popular) no XI Congresso, em 11 de fevereiro de 1995, durante a liderança de Manuel Monteiro.
O CDS-PP conta com cerca de 40 mil militantes.
Histórico eleitoral em legislativasO CDS conseguiu, em 1980, o melhor resultado em legislativas, com 46 mandatos (em 250), sob a liderança de Diogo Freitas do Amaral.
O pior resultado foi registado nas últimas eleições legislativas, de 30 de janeiro. Sob a liderança de Francisco Rodrigues dos Santos, o partido teve 1,60 por cento e não elegeu nenhum deputado, perdendo a representação na Assembleia da República pela primeira vez ao fim de 47 anos de história.
O pior resultado até então ocorreu em 1987, quando o presidente era Adriano Moreira, com quatro mandatos (em 250).
Nas eleições legislativas de 2019, o CDS-PP voltou às votações fracas (ao nível da década de 1990), com 4,2 por cento dos votos, e viu a sua bancada reduzida de 18 para cinco deputados.
c/Lusa