CGTP e UGT unem-se para convocar greve geral

Os secretários-gerais da CGTP e da UGT, respectivamente Manuel Carvalho da silva e João Proença puseram-se de acordo para proporem aos órgãos dirigentes das duas centrais sindicais uma greve geral conjunta. Ao anunciarem a decisão, os dois dirigentes emitiram duras declarações contra o pacote de medidas apresentado na semana passada pelo primeiro ministro. A data da greve geral deverá ser conhecida na quarta feira.

RTP /
Os dirigentes da CGTP e da UGT, Carvalho da Silva (à dir.) e João Proença (à esq.), após a reunião de hoje Mário Cruz, Lusa

O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, afirmou a intenção de "reforçar o trabalho de articulação da acção do movimento sindical no seu todo" e de "fazermos o possível para que a partir duma unidade construída na base se faça o máximo de convergência, de luta comum possível". Concretizando, afirmou que "incluímos nesta nossa disponibilidade a decisão de levarmos aos órgãos de direcção da CGTP e da UGT a proposta de realização de uma greve geral".

O calendário de reuniões dos órgãos dirigentes da CGTP ajusta-se à adopção de uma decisão formal sobre isto que hoje foi apalvrado entre os dois secretários-gerais e as delegações que os acompanhavam: o Conselho Nacional da CGTP reúne-se amanhã e depois. Os órgãos dirigentes da UGT irão igualmente reunir-se, e, na quarta feira, será anunciada a decisão oficial das duas centrais.

Carvalho da Silva não hesitou em qualificar as medidas anunciadas por Passos Coelho como "de uma enorme injustiça, de uma enorme violência, de uma grande dureza contra os trabalhadores", de sublinhar que elas "apenas agravam a crise".

Segundo o secretário-geral da CGTP, há nessas medidas"violações imensas de direitos fundamentais, violações de direitos da contratação colectiva, violações da própria Constituição da República" E acrerscentou que "algumas constituem uma operação de transfrerência rápida e dura [...] de retribuições que pertenciam aos trabalhadores, passá-las para o lado do capital, para o lado dos detentores de acções das empresas".

Ainda segundo Carvalho da Silva, as medidas "levam a uma quebra em menos de dois anos de um quarto do valor da sua retibuição [dos trabalhadores da admnistração pública]", agravam a situação dos pensionistas e, no que diz respeito ao alargamento do horário de trabalho, "apenas produzirão mais desemprego".

Por sua vez, o secretário-geral da UGT, João Proença, não deixou de manifestar o seu acordo com o Memorando da troika, sublinhando contudo que o actual Governo "foii eleito para seguir um programa comum e não está a seguir o programa comum, foi eleito para tirar o país da crise e não está a tirar o país da crise".

Seguidamente, lembrou que na presente situação "todos os dias são excigidos sacrifícios aos mesmos". Por esse motivo, regista-se "um agravamento da pobreza, um brutal aumento do desemprego e um agravamento das desigualdades ". Há, assim quem esteja a empobrecer muito, há quem esteja a perder poder de compra e há quem esteja a ganhar com a crise".

Perante este quadro, as divergências sobre o memorando não podiam impedir que a UGT desse, também ela, uma resposta a medidas que liminarmente condena. Proença confirmou, portanto que se verificou na reunião com Carvalho da Silva "um grande grau de convergência em termos de preocupações e de resposta".

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