Política
Chefe do BCP oferece serviços de espionagem aos EUA
Carlos Santos Ferreira está na primeira página do diário espanhol El País. O presidente do BCP, citado a propósito das fugas do Wikileaks relativamente a Portugal, ofereceu-se para passar informação aos Estados Unidos sobre a actividade financeira iraniana. Em troca, esperava que o banco pudesse negociar no Irão sem afectar o relacionamento de Lisboa com Washington. O negócio, revela o El País, tinha conhecimento de Sócrates.
A intenção de Carlos Santos Ferreira era desbravar as possibilidades de negócio em território iraniano, mas tendo atenção às relações entre Portugal e os Estados Unidos, que pretendia não estragar.
A solução encontrada pelo chefe do Millennium foi, já em Fevereiro deste ano, oferecer-se para espiar o Irão e informar depois Washington acerca das actividades financeiras do novo parceiro, de acordo com os documentos do Wikileaks que servem de base para o artigo do El País.
Num comunicado em que sublinha o seu “comportamento exemplar", o Millennium BCP nega ter proposto aos Estados Unidos recolher informações sobre o Irão a troco de um salvo-conduto para levar a cabo negócios com Teerão.
"A simples partilha de informação é, naturalmente, falsa e fantasiosa", lamenta o banco.
O Millenium admite ainda contactos com a parte iraniana, concedendo que fez "diligências junto de entidades europeias e americanas" para averiguar do regime de sanções diplomáticas e económicas caso viesse a encetar relações com Teerão, o que não veio a acontecer.
BCP oferece a Washington o controle das contas iranianas
Refere o El País que Santos Ferreira foi convidado pela embaixada iraniana em Lisboa a deslocar-se a Teerão em Abril de 2009, onde discutiu possibilidades de negócio com o sector bancário da república islâmica, interessado em apostar em Portugal, eventualmente graças ao facto de as leis nacionais serem mais permissivas do que as dos parceiros europeus.
Temendo colocar em risco as relações com os norte-americanos, o chefe do BCP encontrar-se-ia logo após com a conselheira política e económica da embaixada norte-americana na capital portuguesa para averiguar da possibilidade de seguir em frente neste novo campo de actividade a troco de serviços de espionagem.
O El País assinala que o chefe do BCP, "bom amigo da embaixada dos Estados Unidos em Portugal, debate o assunto com a conselheira política e económica norte-americana e os eventuais benefícios que Washington poderia obter da operação".
Carlos Santos Ferreira propôs "fazer trabalho de espionagem ao serviço dos Estados Unidos", mostrando-se disposto a "ir ao Irão e, em troca, oferecer a Washington informação das actividades financeiras da República Islâmica".
O telegrama da embaixada norte-americana refere que, "ainda que considere que os custos podem ser maiores do que os benefícios, Santos Ferreira deseja estabelecer uma relação com o Irão para ajudar o Governo dos Estados Unidos a investigar fundos e actividades financeiras iranianas".
Na mira de Santos Ferreira estão as próprias contas do banco com origem no Irão e que poderiam servir os Estados Unidos para “rastrear fundos e actividades financeiras iranianos”.
Sócrates saberia do negócio
Sobre todas estas intenções foi informado “o primeiro-ministro Sócrates e altos funcionários do Governo” português, explica o El País, uma informação que consta dos documentos libertados pelo Wikileaks mas que é negada tanto pelo gabinete de Sócrates como pelo próprio Millennium BCP.
Um telegrama diplomático da embaixada norte-americana refere que “o BCP informou o primeiro-ministro Sócrates e altos funcionários do Governo, incluindo o governador do Banco de Portugal, do interesse do Irão de estabelecer uma relação com o Millennium”. A embaixada acreditava que também o MNE português estava ao corrente das intenções do banqueiro.
Os documentos revelados pelo Wikileaks apontam ainda um relacionamento de Carlos Santos Ferreira com o Irão remontando ao período em que o actual banqueiro-chefe do BCP era presidente da Fundição de Oeiras (1987-1989), tendo a empresa portuguesa vendido nessa altura, “há mais de 20 anos”, material militar a Teerão.
O El País refere-se aqui ao caso de Camarate, onde os supostos negócios de venda de armas ao Irão, ainda nos anos 1970, é apontado como peça-chave de algumas das teorias sobre a queda do Cessna em que, a 4 de Dezembro de 1980, viajavam o então primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro e o ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa, e que resultou na morte dos dois governantes, bem como das restantes pessoas que se encontravam a bordo da aeronave.
A solução encontrada pelo chefe do Millennium foi, já em Fevereiro deste ano, oferecer-se para espiar o Irão e informar depois Washington acerca das actividades financeiras do novo parceiro, de acordo com os documentos do Wikileaks que servem de base para o artigo do El País.
Num comunicado em que sublinha o seu “comportamento exemplar", o Millennium BCP nega ter proposto aos Estados Unidos recolher informações sobre o Irão a troco de um salvo-conduto para levar a cabo negócios com Teerão.
"A simples partilha de informação é, naturalmente, falsa e fantasiosa", lamenta o banco.
O Millenium admite ainda contactos com a parte iraniana, concedendo que fez "diligências junto de entidades europeias e americanas" para averiguar do regime de sanções diplomáticas e económicas caso viesse a encetar relações com Teerão, o que não veio a acontecer.
BCP oferece a Washington o controle das contas iranianas
Refere o El País que Santos Ferreira foi convidado pela embaixada iraniana em Lisboa a deslocar-se a Teerão em Abril de 2009, onde discutiu possibilidades de negócio com o sector bancário da república islâmica, interessado em apostar em Portugal, eventualmente graças ao facto de as leis nacionais serem mais permissivas do que as dos parceiros europeus.
Temendo colocar em risco as relações com os norte-americanos, o chefe do BCP encontrar-se-ia logo após com a conselheira política e económica da embaixada norte-americana na capital portuguesa para averiguar da possibilidade de seguir em frente neste novo campo de actividade a troco de serviços de espionagem.
O El País assinala que o chefe do BCP, "bom amigo da embaixada dos Estados Unidos em Portugal, debate o assunto com a conselheira política e económica norte-americana e os eventuais benefícios que Washington poderia obter da operação".
Carlos Santos Ferreira propôs "fazer trabalho de espionagem ao serviço dos Estados Unidos", mostrando-se disposto a "ir ao Irão e, em troca, oferecer a Washington informação das actividades financeiras da República Islâmica".
O telegrama da embaixada norte-americana refere que, "ainda que considere que os custos podem ser maiores do que os benefícios, Santos Ferreira deseja estabelecer uma relação com o Irão para ajudar o Governo dos Estados Unidos a investigar fundos e actividades financeiras iranianas".
Na mira de Santos Ferreira estão as próprias contas do banco com origem no Irão e que poderiam servir os Estados Unidos para “rastrear fundos e actividades financeiras iranianos”.
Sócrates saberia do negócio
Sobre todas estas intenções foi informado “o primeiro-ministro Sócrates e altos funcionários do Governo” português, explica o El País, uma informação que consta dos documentos libertados pelo Wikileaks mas que é negada tanto pelo gabinete de Sócrates como pelo próprio Millennium BCP.
Um telegrama diplomático da embaixada norte-americana refere que “o BCP informou o primeiro-ministro Sócrates e altos funcionários do Governo, incluindo o governador do Banco de Portugal, do interesse do Irão de estabelecer uma relação com o Millennium”. A embaixada acreditava que também o MNE português estava ao corrente das intenções do banqueiro.
Os documentos revelados pelo Wikileaks apontam ainda um relacionamento de Carlos Santos Ferreira com o Irão remontando ao período em que o actual banqueiro-chefe do BCP era presidente da Fundição de Oeiras (1987-1989), tendo a empresa portuguesa vendido nessa altura, “há mais de 20 anos”, material militar a Teerão.
O El País refere-se aqui ao caso de Camarate, onde os supostos negócios de venda de armas ao Irão, ainda nos anos 1970, é apontado como peça-chave de algumas das teorias sobre a queda do Cessna em que, a 4 de Dezembro de 1980, viajavam o então primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro e o ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa, e que resultou na morte dos dois governantes, bem como das restantes pessoas que se encontravam a bordo da aeronave.