Política
Entre Políticos
Chega critica Montenegro "morno" sobre presidenciais. PS lamenta "silêncio"
À entrada para a segunda volta das eleições presidenciais, o Chega insiste nas críticas a Luís Montenegro e acusa o primeiro-ministro e líder do PSD de "ficar em cima do muro" ao não avançar com uma manifestação de apoio a André Ventura ou a António José Seguro - os dois candidatos mais votados na primeira volta.
Fotos: Sofia Vicente
Um dia depois de, no Parlamento, Luís Montenegro ter afirmado que o espaço da AD "não está representado” na segunda volta as eleições, Rita Matias, deputada e dirigente do Chega acusa o chefe do Governo de ser "morno" em relação ao tema e de não estar disponível para combater politicamente as propostas do PS.
"Na hora em que se decide o futuro da nação, na hora em que é preciso ter coragem política, Luís Montenegro diz que o seu espaço político não está representado e que não pode tomar opções. A questão é que nós conhecemos Luís Montenegro de 2023 e de 2024, quando dizia que queria combater o socialismo e que o socialismo tinha conduzido Portugal à miséria", disse, em declarações na Antena 1.
No programa Entre Políticos, Rita Matias defendeu ainda que Luís Montenegro não pode "fugir" a uma realidade eleitoral que, entende a deputada, conduz a uma "luta do socialismo contra o espaço não socialista".
E acrescenta: "Luís Montenegro representa 11% do espaço não socialista. Envolveu-se nesta campanha de uma forma talvez sem precedentes. Se queria ser isento, não tinha andado ao colo com Luís Marques Mendes, envolvendo todos os seus ministros numa campanha que foi desastrosa e que deixou o primeiro-ministro numa posição de vulnerabilidade".
As críticas ao posicionamento do primeiro-ministro surgem também do lado do PS, que aponta a Luís Montenegro problemas na avaliação das duas candidaturas mais votadas na primeira volta. Na Antena 1, Marina Gonçalves, ex-ministra de António Costa, considerou "evidente" a necessidade de Luís Montenegro ter algo a dizer ao PSD em matéria de segunda volta.
"O presidente do PSD devia ter uma palavra a dizer aos seus militantes, precisamente com a preocupação que todos temos de estabilidade e de governabilidade do país. Nós devemos avaliar o silêncio do primeiro-ministro ou do presidente do partido, porque, na verdade, o silêncio denota uma convicção ou uma opção por não tomar partido por nenhum dos candidatos", assinalou a socialista.
Social-democrata Cristóvão Norte recusa "condicionamento dos eleitores"
Apesar de manter a porta aberta ao diálogo com o Chega, o PSD acusa o partido de André Ventura de não contribuir para a estabilidade política e de falta de conhecimento ou de respeito pelos poderes do presidente da República. Na Antena 1, Cristóvão Norte, deputado e presidente da distrital de Faro do PSD, lamentou as afirmações de Rita Matias a sublinhou a necessidade de "moderação" durante o debate eleitoral.
"A posição da deputada Rita Matias é muito reveladora da interpretação do exercício do cargo de presidente da República. Essa é, desde logo, uma perspetiva que não tem qualquer tradução na prática constitucional. Por outro lado, não respeita a magistratura de articulação política, de favorecimento da estabilidade, da moderação, da previsibilidade e da confiança, que, independentemente da militância de quem vier a ser presidente da República, deve prevalecer", afirmou.
O deputado social-democrata afirma ainda que não há qualquer "mecanismo de condicionamento" dos eleitores através dos anúncios que têm surgido de várias personalidades da direita e do centro-direita, mas apenas uma manifestação de apoio individual.
"Eu assumi que votarei em António José Seguro e disse-o de uma forma clara, sem pestanejar. Não há, do meu ponto de vista, qualquer réstia de dúvida daquilo que eu entendo ser o meu dever e o respeito pela minha posição. Nenhum de nós se atreveria a dizer que, em 1991 - aquando da reeleição de Mário Soares -, o apoio formal de Cavaco Silva traduziria uma adesão perigosa que amputaria a militância social-democrata a favor de uma rendição ao PS", insistiu.
Cristóvão Norte aponta ainda a Luís Montenegro a necessidade de garantir, sobretudo, a capacidade de condições de para governar o país, mesmo que tal signifique uma neutralidade entre André Ventura e António José Seguro: "O PSD não é socialista, nunca o será. Cabe a Luís Montenegro, como líder do PSD, e, em particular, como primeiro-ministro, garantir as condições de governabilidade. Essas condições de governabilidade obrigam a estabelecer articulações políticas com forças políticas escolhidas pelos portugueses".
O programa Entre Políticos é moderado pelo jornalista João Alexandre.